Conselho de Disciplina da FPF abre processo às ligações entre Benfica e Desp. Aves

Na base da abertura da investigação está a reportagem do PÚBLICO publicada neste fim-de-semana. Desp. Aves falhou demonstração de inexistência de dívidas salariais junto da Liga

Longe vão os tempos de glória do Desp. Aves, quando venceu uma Taça de Portugal
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Longe vão os tempos de glória do Desp. Aves, quando venceu uma Taça de Portugal MIGUEL A. LOPES

O Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol abriu esta nesta terça-feira um processo de inquérito com base nas notícias publicadas pelo PÚBLICO sobre as ligações entre Benfica e o Desportivo das Aves. O processo foi enviado à Comissão de Instrutores da Liga, mantendo-se em segredo de justiça até ao final do inquérito.

Em causa estão relações de dependência do emblema nortenho em relação às “águias”, com negócios duvidosos envolvendo os dois emblemas para além da existência de uma conta corrente entre os dois clubes da I Liga na qual os avenses chegaram a dever dois milhões de euros ao Benfica, dívida que deveria ter impedido a inscrição do Desp. Aves na I Liga.

Para além disso, o Desp. Aves, actual último classificado da I Liga, falhou a obrigação de demonstrar a inexistência de dívidas salariais junto da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) em relação aos meses de Março e Abril.

“A Liga Portugal informa que o CD Aves, Futebol SAD não cumpriu a sua obrigação de demonstrar a inexistência de dívidas salariais a jogadores e treinadores referentes aos meses de Março e Abril, com controlo salarial até 15 de Maio, ficando por executar o estabelecido no artigo 78.º A do Regulamento de Competições”, lê-se em comunicado publicado no sítio oficial da LPFP na Internet.

Os avenses já tinham falhado a regularização dos vencimentos a jogadores, treinadores e funcionários dos plantéis principal e sub-23 entre Dezembro de 2019 e Fevereiro de 2020, que a administração liderada pelo chinês Wei Zhao justificou com a paralisação da actividade económica na China, motivada pela pandemia de covid-19.

“Terminados os prazos regulamentares, tendo em conta o que está determinado no artigo acima referido, e também nos artigos 74 e 14 do Regulamento Disciplinar da Liga Portugal, informa-se que a Liga Portugal remeteu o assunto para o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF)”, termina a nota do organismo.

O processo associado ao primeiro incumprimento seguiu da Liga de clubes para o Conselho de Disciplina da FPF em 3 de Abril, originando as rescisões unilaterais do guarda-redes francês Quentin Beunardeau e do avançado brasileiro Welinton Júnior e podendo significar dois a cinco pontos de penalização para o emblema de Santo Tirso.

Em 6 de Maio, fonte dos avenses adiantou à agência Lusa que os salários de Março seriam liquidados na totalidade, enquanto 35% das verbas de Abril e Maio estariam cativadas devido à paragem competitiva provocada pelo novo coronavírus, sendo repostas em 5 de Agosto e 5 de Setembro, respectivamente, com a retoma da I Liga.

O Desportivo das Aves tem atravessado uma série de contrariedades desportivas, directivas e financeiras desde Agosto e ocupa a 18.ª e última posição do campeonato, com 13 pontos em 25 jornadas, 12 abaixo da zona de salvação, deslocando-se ao terreno do Tondela na quinta-feira, às 21h15, no Estádio João Cardoso, num jogo da 26.ª jornada.

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