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Os centros comerciais já não vão ser lugares para passear

"Bem-vindo ao novo normal", lê-se num monitor da praça central do centro comercial Colombo. Este "novo normal" traduz-se em entradas limitadas no espaço comercial, uso de máscara obrigatório, sentidos únicos para os clientes e uma nova forma de comprar nas lojas.

"As quedas foram enormes", admite Paulo Gomes, director do centro comercial Colombo. Sem revelar números, o responsável prefere falar numa aposta na segurança para reconquistar a confiança dos consumidores em espaços fechados. O Colombo tem mais de cem mil metros quadrados de lojas e poderá receber cerca de 3500 pessoas ao mesmo tempo.

Mas, agora, as métricas são outras, insiste Paulo Gomes. O objectivo não é ter um centro cheio de pessoas, mas garantir as vendas. "Provavelmente será um local mais para fazer compras, menos para passear. É o novo consumidor, é o novo mundo em que vivemos. Mas vivemos muito bem com isso", resume.

Sem um número de investimento fechado, pois as normas vão sendo aplicadas e adaptadas com o passar do tempo, o centro admite já ter gasto mais de cem mil euros para garantir todas as medidas de higiene e segurança no combate à propagação do novo coronavírus. Pelo centro estão espalhados mais de 200 dispensadores de gel desinfectante e no chão há setas que apontam por onde devemos andar conforme o sentido que queremos tomar. Junto às lojas, há marcas que assinalam a distância de segurança que se deve guardar enquanto se espera para entrar.

Ao contrário do que aconteceu no resto do país, os centros comerciais da região de Lisboa e Vale do Tejo não puderam abrir portas já esta segunda-feira, mas algumas lojas como os restaurantes com espaço de consumo próprio, lojas de café ou de produtos de estética já estão de portas abertas. O resto das lojas, a grande maioria, aguarda nova decisão que será tomada a 4 de Junho.

O regresso dos empregados em layoff

A reabertura dos centros comerciais no resto do país fez muitas empresas terminarem as situações de layoff em que tinham colocado os seus trabalhadores, disseram vários lojistas à reportagem do PÚBLICO no Colombo.

Neste momento, só faltam regressar praticamente os trabalhadores dos centros comerciais de Lisboa, revelou Vicky Sensat, directora de marketing da Parfois. A empresa prepara-se para abrir no Colombo um novo conceito de loja vocacionada para a venda de roupa.

Para além das máscaras, há outras novas regras para os consumidores irem voltando "a pouco e pouco, à vida normal", detalha Vicky Sensat. Os provadores vão estar fechados, podendo o cliente experimentar a roupa por cima da sua, e as peças devolvidas vão respeitar um período de "quarentena" antes de voltarem à loja.

Na Perfumes & Companhia, por exemplo, os clientes não vão poder experimentar os produtos ou pedir o serviço de maquilhagem. Terá de ser chamado um colaborador da loja para fazer uma demonstração sem tocar no cliente.

De portas fechadas desde meados de Março e sem perspectiva para reabrir está o solário Look Good. O sócio-gerente da empresa, "o único que não está em layoff porque não pode", não entende a medida. Reinier Kuipers explica que os raios ultravioleta utilizados nas sessões "matam o vírus", mas o governo enquadra o serviço na mesma categoria dos spas e termas, que ainda não têm permissão para reabrir.

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