Novo “paraministro” do Governo pede projectos para ressuscitar “economia zombie

António Costa Silva é presidente da empresa petrolífera Partex. O primeiro-ministro pediu-lhe um plano de recuperação económica. Vai ouvir ministros, partidos e parceiros sociais.

Primeiro ministro
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António Costa Silva Miguel Manso/Arquivo

O primeiro-ministro convidou António Costa Silva, independente sem passado na política, para preparar um programa de recuperação económica para o país. A notícia é avançada este sábado pelo semanário Expresso.

António Costa Silva é há vários anos presidente executivo da empresa petrolífera Partex e, nos últimos 15 dias, tornou-se uma espécie de “paraministro”, escreve o semanário.

Segundo o Expresso, o primeiro-ministro informou os membros do Governo que Costa Silva iria reunir-se com cada um deles para definirem os programas que estão previstos ou programados e que devem continuar, nascer ou ser abandonados.

Costa Silva já acompanhou Costa em reuniões com empresários e já começou a reunir-se com ministros. Ainda este mês, acrescenta o Expresso, o engenheiro de minas de formação vai falar em nome do Governo com os partidos da oposição e com os parceiros sociais.

Na semana passada, já a trabalhar para o Governo, António Costa Silva escreveu um artigo de opinião no PÚBLICO no qual disse que a situação económica no mundo “não está para brincadeiras”. Em Portugal também: “As previsões de Bruxelas para Portugal são de uma queda de 6,8%, uma das maiores de sempre e que se aproxima das quedas históricas de 1936 (7,6%) ou 1914 (8,4%).”

Nesse texto, Costa Silva apresentava linhas do seu pensamento económico em tempos de pandemia, com o objectivo de ressuscitar “economia zombie”. “O país tem que desenhar e pôr em funcionamento projectos-âncora capazes de evitar o colapso e transformar a economia. Isso passa por um grande projecto para completar as infra-estruturas físicas indispensáveis, que seja uma alavanca para a indústria da construção. Passa por completar as infra-estruturas digitais e acelerar a transição digital apoiando as escolas, as universidades e os centros de investigação, a Administração Pública e as empresas com um programa especial de apoio às PME [pequenas e médias empresas]”.

Costa Silva defendia, nesse texto, também “um projecto para o sistema de saúde incluindo os equipamentos e recursos do SNS mas também o apoio às empresas que se reinventaram nesta crise e produzem equipamentos que podem capitalizar à escala global”.

Advogava ainda um “projecto para a agricultura para apoiar as empresas, consolidar a economia e as redes logísticas locais e melhorar a nossa balança alimentar”; e “um grande projecto para a floresta e para o interior, baseado na construção de uma rede de centrais de biomassa, capaz de valorizar os lixos florestais, promover a limpeza da floresta, produzir bioenergia, criar emprego e aumentar a coesão territorial”.

Para o “paraministro”, Portugal “precisa de um projecto de reconversão industrial para explorar a capacidade de reinvenção das cadeias logísticas e apoiar as empresas nacionais de múltiplos sectores” e de outro de “reindustrialização”, “explorando o potencial dos recursos minerais e energéticos nacionais como o lítio, o cobalto, o níquel, o nióbio, o tântalo, as terras raras, as energias renováveis como a solar, o gás e o hidrogénio”.

Naquele texto, Costa Silva defendia ainda a necessidade de um projecto para as áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, “transformando-as em macrorregiões inteligentes e competitivas à escala global investindo na integração dos sensores, dados e tecnologias digitais e mobilizando todo o ecossistema de inovação com as empresas, centros de investigação, universidades e autarquias”.

O texto terminava com um apelo à mobilização colectiva: “Não voltemos à ladainha de que o país não tem recursos. Tem recursos e deve desenhar políticas públicas capazes de os produzir, criar valor, gerar riqueza e emprego e construir um futuro diferente.”

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