Covid-19. Infarmed recomenda suspensão de tratamento com hidroxicloroquina

Portugal faz o mesmo que outros países europeus, como França, Itália e Bélgica.

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Reuters/GEORGE FREY

O Infarmed decidiu recomendar a suspensão do uso da hidroxicloroquina no tratamento de doentes com covid-19. A informação foi avançada pela Antena1 e confirmada pelo Infarmed ao PÚBLICO.

Em comunicado, o Infarmed explica que a recomendação está em linha com as directrizes defendidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que já tinha anunciado, esta segunda-feira, que o uso de hidroxicloroquina e cloroquina vai ser suspenso nos ensaios em doentes infectados com covid-19.

O Infarmed faz questão de sublinhar que a mais recente recomendação para a utilização destas substâncias apenas está relacionada com o SARS-CoV-2: "Os doentes que estavam a ser tratados com hidroxicloroquina para outras patologias, doenças auto-imunes como lúpus eritematoso sistémico, artrite reumatóide e malária, para as quais estas moléculas estão aprovadas, não devem interromper o seu tratamento, que nestas situações se mantém seguro, desde que devidamente acompanhado pelo médico assistente.”

Vários testes questionam a eficácia de tratamentos com hidroxicloroquina e cloroquina em pacientes infectados com o novo coronavirus.  Questionada sobre o uso deste princípio activo, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, afirmou esta quinta-feira que o Infarmed e a Agência Europeia do Medicamento “têm acompanhado a situação deste medicamento”. “Estamos neste momento a avaliar em que estatuto é que vai ficar no nosso país. Será emitida uma recomendação em muito breve prazo”, garantiu a directora-geral da Saúde em conferência de imprensa.

A hidroxicloroquina é utilizada contra a malária e também para tratar doenças auto-imunes, como a artrite reumatóide ou o lúpus. Um estudo publicado na última sexta-feira na revista científica The Lancet sugere que tratar a covid-19 com cloroquina ou hidroxicloroquina não tem benefícios, aumentando o risco de problemas cardíacos e a taxa de letalidade.

Devido a algumas “preocupações”, a OMS anunciou que vai fazer uma “pausa temporária” no uso destas substâncias nos solidarity trials, enquanto os “dados de segurança são revistos”, explicou o director-geral, Tedros Ghebreyesus, na conferência de imprensa sobre a evolução da pandemia no mundo.

Os solidarity trials são uma iniciativa da OMS em que são comparadas várias possibilidades de tratamento para a covid-19. Mike Ryan, director executivo do programa de emergências da OMS, acrescentou que a decisão foi tomada num contexto de “muita prudência”.

Um grupo de reumatologistas do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, explicou ao PÚBLICO que não há nenhuma prova de que a hidroxicloroquina diminua ou previna o aparecimento de sintomas da covid-19. Na semana passada, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que está a tomar hidroxicloroquina, apesar de não ter sintomas.

Também o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, tem defendido a utilização da substância, apesar de reconhecer que os estudos científicos não garantem a eficácia do tratamento em doentes infectados com covid-19.

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