Lonely Planet em luta pela sobrevivência: um planeta mais solitário

Primeiro foi o digital, agora é a pandemia. A Lonely Planet já fechou lojas e reduziu pessoal. Os guias sobrevivem, por enquanto, mas o carisma não é o mesmo. Isso de andar meses na estrada com um Lonely Planet enrugado atado à mochila é coisa do século passado.

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Tony e Maureen Wheeler lançaram a Lonely Planet com "Across Asia on The Cheap" em 1973 DR

Estive no Festival do Deserto, em Jaisalmer, fez vinte anos em Fevereiro passado. No meio de corridas de camelos engalanados, concursos de bigodes esquisitos e muita excitação, esqueci-me de comer até anoitecer. Tinha um guia em papel guardado na mochila, mas estava demasiado cansado para esmiuçar a sua lista de recomendações. De maneiro que entrei no primeiro restaurante que encontrei aberto e nunca mais me esqueci, por duas razões. Por causa da refeição servida, excelente e barata, mas também pelo cartaz exposto na varanda, que lamentava ter esta casa sido injustamente omitida pela “Bíblia”. Haveria uma Bíblia no Rajastão? Sim, esclareceram-me, ali o que valia mesmo era a Bíblia Azul dos mochileiros, como era localmente conhecido o Lonely Planet da Índia. Na verdade, o mesmo que eu tinha seguido quase religiosamente ao longo de um mês de itinerância pelo subcontinente indiano.

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