Quase 1,4 milhões de consultas ficaram por fazer no SNS por causa da pandemia

Para recuperar os atrasos, 36 hospitais já estão a reagendar uma parte das consultas e cirurgias que foram suspensas.

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LUSA/MIGUEL A. LOPES

Não será fácil nem rápido recuperar todas as consultas e cirurgias que ficaram por fazer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) desde que, em 16 de Março, se decidiu suspender a actividade programada para se concentrarem os esforços no combate à pandemia de covid-19, tendo em conta a dimensão do que foi adiado. A ministra da Saúde revelou esta quarta-feira no Parlamento que, até Abril, ficaram por realizar quase 1,4 milhões de consultas médicas, somando as dos centros de saúde e as dos hospitais públicos, e que 51 mil cirurgias foram adiadas.

Para recuperar o tempo perdido, 36 hospitais já apresentaram planos para o regresso gradual à normalidade e reagendaram entretanto 40% das consultas e 30% das cirurgias programadas, especificou Marta Temido durante a audição regimental na Comissão Parlamentar da Saúde, em que desfiou um rol de números e de dados na tentativa de demonstrar a capacidade de resposta do SNS ao surto epidémico do novo coronavírus.

Interpelada pelos deputados, a ministra destacou igualmente outro dado que permite perceber o impacto da suspensão da actividade no SNS - desde Janeiro até Abril, fizeram-se menos 2500 cirurgias oncológicas do que no mesmo período de 2019. Uma redução de 15% que já tinha sido contabilizada há alguns dias pelo secretário de Estado da Saúde.

Também o número de atendimentos em urgência caiu substancialmente, agora considerando o período de 16 de Março até ao final de Abril. Foram menos cerca de 400 mil, acrescentou a governante. "Estamos muito preocupados com os números, são imensos”, admitiu.

Ainda sobre a redução da actividade programada, e em resposta à deputada do CDS Ana Rita Bessa, Marta Temido lembrou que “o SNS não fechou a porta”, enquanto “muitos privados puderam fazê-lo”. Vários privados não estiveram disponíveis para dar resposta neste período, até porque tiveram a hipótese de recorrer ao layoff, ao contrário do SNS, notou.

O combate à pandemia está a levar a um aumento substancial da despesa do SNS. O deputado do PSD Álvaro Almeida estimou que os gastos em testes, equipamentos de protecção individual, ventiladores e medicamentos, implicam uma despesa suplementar de 150 a 200 milhões de euros por mês. Ou seja, precisou, um acréscimo de dois mil milhões de euros por ano. Marta Temido respondeu apenas que já foram gastos 130 milhões de euros em testes de diagnóstico, nomeadamente nos laboratórios privados com os quais o SNS tem convenções. 

Na audição, foi ainda actualizado o número de profissionais de saúde infectados com covid-19, mais de 3200, um terço dos quais são enfermeiros, além de 896 assistentes profissionais, 159 assistentes técnicos e 105 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica. Destes, 1071 já recuperaram.

Marta Temido frisou que os dados de que dispõe indicam que muitos destes contágios “não aconteceram em contexto laboral, mas em contexto social ou domiciliário”. Do total de profissionais de saúde infectados, 1071 já recuperaram.

Uma boa notícia adiantada pela governante é a de que os 2628 profissionais de saúde (enfermeiros e assistentes operacionais) que foram contratados por quatro meses para reforço da resposta à pandemia – um acréscimo na despesa de “100 milhões de euros” -  poderão eventualmente permanecer no SNS, no âmbito do plano de aumento de trabalhadores para os próximos anos.

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