Premier League quer evitar jogos em campo neutro

Richard Masters, director-executivo do campeonato inglês, diz que apoiará os clubes que são contra a realização das últimas jornadas da prova em estádios neutros.

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Reuters

Depois de o Governo do Reino Unido ter comunicado nesta segunda-feira que nenhum desporto profissional será autorizado a regressar, mesmo que à porta fechada, até ao final de Maio, os clubes Premier League reuniram-se por videoconferência. Com a perspectiva de um possível regresso em Junho, a maioria dos clubes defendeu a realização de jogos em casa e fora de casa, evitando disputar partidas em campo neutro.

No final do encontro, Richard Masters, director-executivo da Premier League, revelou que em cima da mesa esteve a possibilidade da obrigatoriedade de qualquer retorno para completar a presente temporada teria que ter jogos disputados à porta fechada e em locais neutros, o que em teoria limitaria o risco de originar aglomerações de adeptos nas imediações dos estádios.

A ideia foi rejeitada por alguns clubes que lutam pela fuga à despromoção ao Championship, como o Brighton, West Ham, Watford, Bournemouth, Aston Villa e Norwich, que mostraram preocupação com uma medida que “comprometeria a integridade da competição”.

Em teoria, esta opção será mais prejudicial para clubes como o Aston Villa e o Bournemouth, dois clubes que estão na zona de despromoção e que fazem do factor-casa um dos seus trunfos. As duas equipas estão no top-5 das formações que maior percentagem de pontos conquistam quando actuam no seu terreno e ambas têm, até final, mais jogos como anfitriãs do que forasteiras: seis jogos para o Aston Villa e cinco para Bournemouth em casa, com quatro deslocações a estádios de rivais para ambos.

Após a reunião, Richard Masters lembrou que continuam as conversas entre a Premier League e o Governo liderado por Boris Johnson sobre o que será necessário para o recomeço da temporada, mas admitiu que os clubes esperam encontrar uma solução para jogar em casa e fora de casa. “Conversamos sobre campos neutros, mas obviamente que a preferência de todos os nossos clubes é de jogar em casa, se possível, mas todos devem estar cientes que a última palavra será das autoridades”, disse Masters.

Outro tópico discutido foi o término dos contratos de alguns jogadores. Os clubes concordaram em autorizar que os atletas cujos contratos terminassem no final de Junho estendessem os acordos até o final da competição, seguindo as indicações da FIFA, que elaborou directrizes sugerindo que os contratos sejam prolongados.

Richard Masters admitiu ainda que a redução do número de jornadas da Premier League esteve também em cima da mesa: “Foi a primeira fez que discutimos uma redução. O nosso objetivo principal é acabar a temporada, mas é importante discutir várias opções”, disse Masters no final da reunião.