Peo Hansen: “O nascimento da União Europeia foi um assunto global e euroafricano”

Na véspera dos 70 anos da declaração Schuman (9 de Maio) eis várias razões para nos fazer reflectir melhor sobre o que sabemos, e o que precisamos de aprender, sobre o projecto comum europeu. Um exercício importante num momento em que vozes nacionalistas diversas despontam com uma força renovada. Recuperamos Eurafrica: The Untold History of European Integration and Colonialism (2014), escrito por Stefan Jonsson e Peo Hansen, e entrevistamos o segundo.

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Promovendo a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, a declaração Schuman, de 9 de Maio de 1950, é vista como um momento fundacional da integração europeia. Todavia, muita da produção académica e do discurso público sobre a construção europeia tem omitido aspectos relevantes do seu passado, como o modo como o “projecto europeu” foi historicamente moldado pela persistência de ambições coloniais europeias, especialmente em África. Porque, e importa relembrar, os primeiros passos dados para a cooperação no continente inscreveram-se num contexto histórico em que o colonialismo não era ainda dado por terminado, nem na sua prática nem nas ideias.

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