Vender ou arrendar casa em tempos de COVID-19

Vivemos momentos de incerteza, mas é incontestável a extraordinária capacidade do ser humano em adaptar-se. Também no imobiliário estão a surgir novas oportunidades, com o sector a apostar no digital para se afirmar como motor de recuperação da economia.

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Vivemos um período excepcional nas nossas vidas. A entrada numa nova década antevia um ano memorável, mas o que ninguém conseguia prever é que iríamos viver tempos de pandemia, receio e isolamento social por causa de um vírus altamente contagioso que nos obrigou a pensar as nossas relações pessoais e profissionais, o modo como interagimos e até como vendemos ou compramos.

O quotidiano passou a estar acrescido de mais responsabilidade e uma nova consciência para evitar contágios e combater a COVID-19. Todos temos de nos adaptar a novas circunstâncias. “O mundo não acabou, apenas está diferente e mais digital. O imobiliário, um dos pilares da nossa economia, poderá também ser um motor de recuperação”, explica o Director Comercial do Idealista, António Marques.

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António Marques, Director Comercial Idealista

Mudança nas tendências do imobiliário

Os reflexos da pandemia na área do imobiliário não se fizeram esperar, com o turismo congelado, assiste-se a um aumento da oferta no arrendamento devido à entrada de imóveis que antes estavam apenas destinados ao alojamento local.

As tendências na procura estão a modificar-se, as pesquisas por imóveis para arrendar aumentaram e as pessoas estão a valorizar mais a qualidade dos espaços habitacionais, tanto no interior como exterior. A COVID-19 fez disparar a procura por moradias e apartamentos com mais uma assoalhada, o que é motivado pelas novas circunstâncias do teletrabalho e estudo em casa. “O português continua a querer mudar de casa, no confinamento muitos estão a valorizar mudarem-se para uma casa maior, ter uma varanda, mudar para os subúrbios, para o campo, inclusive alguns voltar aos centros impulsionados e animados pelas possíveis descidas de preços”, acrescenta o responsável pela área comercial do Idealista.

Desafios do sector imobiliário e potenciais oportunidades

Os novos tempos são de incerteza e colocam-nos perante novos cenários que há poucos meses apenas faziam lembrar o argumento de um filme de ficção científica. O sector do imobiliário enfrenta, mais do que nunca, novos desafios. Tal como outros sectores da sociedade necessita de se adaptar à nova realidade, mas não deve deixar escapar as oportunidades. “O comprador internacional está apenas à distância de um clique e Portugal em todos os indicadores é um país no topo das preferências para investir no período pós-COVID. O mercado português sairá reforçado deste grande desafio, os portugueses têm sabido, com enorme responsabilidade e valor, confinar-se às suas casas e manter o distanciamento social, por isso não teremos tanto impacto como outros países”, sublinha o director comercial António Marques. Para este responsável o “V de recuperação no imobiliário será mais rápido” em Portugal, realçando que no Idealista “verificam-se já tendências animadoras” com um aumento de tráfego face a 2019, inclusivamente ao nível de compradores internacionais, que representam cerca de 30% de tráfego internacional, um número que tem margem para crescimento.

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“O momento pede um salto tecnológico”

Mas para que o sector do imobiliário português possa expandir-se e ultrapassar com sucesso obstáculos é necessário assumir a capacidade de se reinventar e reforçar a aposta no digital. É incontornável reflectir sobre as novas formas de interacção à distância entre compradores, vendedores e mediadores imobiliários. A clareza na partilha da informação e a capacidade para estabelecer uma relação de confiança, numa conversa que pode acontecer à distância com recurso ao Skype, Gotomeeting ou Microsoft teams, tornam-se factores diferenciadores ainda mais marcantes. “O paradigma mudou e nada será como antes, os compradores querem ver toda a informação do imóvel online, porque querem visitar o mínimo de casas possível, a decisão de esconder informação para pedir informações será uma quebra de confiança e perda da venda. O proprietário está menos disponível para abrir a porta da sua casa para visitas, por isso todos os compradores deverão ser extremamente qualificados. Em praticamente todos os casos até existir uma vacina, a visita ao imóvel será apenas a confirmação do que foi visto online, e inclusive em alguns casos deixará de ser necessário”, sublinha o director comercial do Idealista.

Em tempos de COVID-19, a qualidade na apresentação online dos imóveis ganha mais importância, com o recurso a visitas virtuais, 360º, 3D, Homestaging Virtual e Openhouses online. Para ajudar todos os que procuram uma nova casa, o Idealista acrescentou um novo filtro de pesquisa que selecciona apenas os imóveis que permitem fazer “visita virtual” para que possa conhecer todos os cantos à casa sem ter que sair à rua. Em breve, será também possível a assinatura de contratos digitais.

Desenvolver um plano de marketing do imóvel, tendo em vista a promoção online, é especialmente importante nesta época, mas é necessário reflectir bem nas escolhas. “O momento pede um salto tecnológico que bem utilizado poderá reduzir custos de marketing importantes nesta fase em que temos que pensar melhor nos investimentos”, defende António Marques. É possível que grandes oportunidades surjam no imobiliário, mas a adaptação a um mundo mais digital é o segredo para vencer. Como diz António Marques: “Não devemos nem podemos esconder-nos da nova realidade em que vivemos”. Vamos ter de aprender a coexistir com as mudanças que a pandemia trouxe ao mundo.

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