Não há mais aves no céu, “há é mais olhos a vê-las”

Nós cá dentro, presos nas nossas “gaiolas”, enclausurados. Elas lá fora, em liberdade. Enquanto a humanidade se cobre e se tapa, se esconde da pandemia, as aves aproveitam o silêncio, o espaço e uma liberdade invulgar para celebrar a Primavera. A actividade humana espanta as aves. Pausa. Agora não.

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Escrevedeira-de-garganta-preta (Emberiza cirlus) Paulo Alves

Mais um dia de isolamento. Nuno toma o primeiro café da manhã na varanda do seu apartamento, num terceiro andar, algures numa densa zona urbana de Vila Nova de Gaia. Por ali — que estamos todos em teletrabalho, cada um na sua “gaiola” —, a presença e a diversidade de aves selvagens são baixas por excesso de cimento e por falta de variedade de habitats. “Alguns jardins, uma quinta por perto, terrenos abandonados, com matos, à espera de construções, e um resto de sobreiral. Fora isso, telhados e ruas”.

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