Durão Barroso diz crise económica causada pela covid-19 vai ser mais dura que a da década passada

O ex-presidente da Comissão Europeia acredita que esta crise só será comparável à dos anos 30 do século XX.

José Manuel Barroso
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Durão Barroso NFS Nuno Ferreira Santo

Durão Barroso afirmou nesta segunda-feira que, de acordo com “as melhores informações” que diz ter, a crise causada pela pandemia de covid-19 “vai ser mais impactante” na economia do que a crise financeira da década passada e “só comparável à crise dos anos 30” do século XX, a chamada Grande Depressão.

No encerramento de uma teleconferência organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, em foi discutida a crise na saúde, na economia e na política provocada pelo novo coronovírus, o ex-presidente da Comissão Europeia deu o exemplo dos Estados Unidos, onde, “em duas semanas”, perderam o emprego “10 milhões de pessoas”. “Isto não tem precedentes”, garante.

Ainda assim, o actual presidente não-executivo do banco Goldman Sachs International entende que “só mais lá para a frente é que se deve olhar para a economia” em primeiro lugar, pois agora a prioridade é combater a doença e salvar vidas.

“Países, governos e bancos centrais estão a trabalhar para mitigar o impacto económico e social da crise. Mas sejamos sinceros, não é com dinheiro, nem com políticas económicas que vamos matar o vírus. É com medidas na área da saúde. É esta a grande diferença desta crise para a última crise financeira”, afirmou, criticando os discursos que “começam a surgir, a defender que se deve começar a olhar primeiro para a economia”.

Barroso afirma ainda que, em termos económicos, “é errado dizer que a União Europeia [UE] não está a responder”: “O que acontece é que há certos governos que estão a impedir a UE de fazer o que devia e pode fazer”.

O antigo primeiro-ministro português diz até compreende que existam discursos “contra a UE daqueles que são contra ela e que a querem destruir. O que considera “menos aceitável é que alguns pró-europeus que estão a passar por situações dramáticas, como é o caso de Itália e Espanha, critiquem a UE”.

“A UE está a tomar medidas correctas, nomeadamente está disposta a mudar as regras para apoiar os países. O que está a falhar é a coordenação entre os países para encontrar soluções fiscais para a economia e para a mutualização da dívida”, defende

Ainda assim, Barroso acha que vão ser encontradas soluções, embora pense que não passarão pelos chamados eurobonds, “porque ainda não é o momento para eles e há países que se opõem fortemente a eles”. Acrescenta, porém, não ter dúvidas de que a UE está a viver “uma crise institucional e que há riscos”, nomeadamente o de os cidadãos confiarem menos nos lideres europeus. “Mas no fim haverá um compromisso”, previu.

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