Covid-19: cidade chinesa proíbe o consumo de carne de cão, gato e animais exóticos

Esta lei será aplicada em Shenzhen a partir do dia 1 de Maio. Segundo a Humane Society International, 30 milhões de cães são mortos por ano em toda a Ásia.

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Tyrone Siu/Reuters

A cidade chinesa de Shenzhen vai proibir o consumo de cães e gatos como parte de uma restrição mais ampla ao comércio e consumo de animais selvagens e espécies protegidas. A teoria de que o novo coronavírus terá passado dos animais para os seres humanos tem acelerado algumas alterações legislativas dentro de várias províncias chinesas, mas Shenzhen, junto à fronteira com Hong Kong, dá o exemplo com uma lei aprovada no final de mês de Março que terá efeitos práticos a partir do dia 1 de Maio.

A nova proibição inclui carne de cão e de gato, isto para além da carne de animais considerados "exóticos" (aqui entra carne de cobra, de sapo e de tartaruga). Refira-se que a China proibiu recentemente todo o comércio e consumo de animais selvagens depois de esta ter sido considerada a provável causa da pandemia.

Esta indústria chinesa, avaliada em 67 mil milhões de euros (de acordo com um relatório de 2017 da Academia Chinesa de Engenharia), foi encerrada em Fevereiro, altura em que o governo chinês proibiu a compra, venda, transporte e consumo de animais selvagens num esforço para impedir que doenças zoonóticas fossem transmitidas entre animais e humanos. Nesse sentido, ficaram abrangidos pela lei mercados, restaurantes e plataformas online, bem como uma série de quintas de criação de animais entretanto fechadas.

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De acordo com especialistas, grande parte do comércio de vida selvagem na China já era ilegal antes da pandemia e tendo em consideração a Lei de Protecção da Vida Selvagem que proíbe a caça e a venda de espécies ameaçadas — mas não se aplica a todos os animais selvagens. A prática tem vindo a persistir por causa da aplicação negligente da lei e de inconsistências nos nomes das espécies.

“Cães e gatos como animais de estimação estabeleceram uma relação muito mais próxima com os seres humanos do que todos os outros animais, e proibir o consumo de cães e gatos e outros animais de estimação é uma prática comum em países desenvolvidos, como acontece em Hong Kong e Taiwan”, justificaram os responsáveis de Shenzhen.

À Agência Reuters, Liu Jianping, do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças de Shenzhen, disse que as aves, gado e frutos do mar disponíveis para os consumidores são suficientes. “Não há provas de que a vida selvagem seja mais nutritiva do que aves e gado”, afirmou Liu.

Shenzhen é a primeira cidade do mundo a levar a sério as lições aprendidas com esta pandemia e a fazer as alterações necessárias para evitar outra pandemia”, disse Teresa M. Telecky, vice-presidente da Humane Society International (HSI). “Os passos ousados ​​de Shenzhen para parar esse comércio e o consumo de animais selvagens são um modelo que os governos de todo o mundo deviam imitar.”

Segundo a HSI, trinta milhões de cães são mortos em toda a Ásia por ano. “Este pode ser um momento decisivo nos esforços para acabar com esse comércio brutal que mata cerca de dez milhões de cães e quatro milhões de gatos na China todos os anos”, disse Peter Li, especialista para a HSI.

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No sentido inverso, a China aprovou o uso da bílis de urso — drenado dos ursos vivos em cativeiro e usado na medicina tradicional chinesa — no tratamento de pacientes com coronavírus. “Não devemos confiar em produtos da vida selvagem como a bílis de urso como solução para combater um vírus mortal que parece ter tido origem na vida selvagem”, comentou a propósito Brian Daly, porta-voz da Animals Asia Foundation, à AFP.

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