Morreu a linguista e ex-vice-reitora da Universidade de Lisboa Maria Helena Mira Mateus

Professora catedrática e linguista, foi co-autora da Gramática da Língua Portuguesa, desde a primeira edição, em 1983. Morreu esta segunda-feira, aos 88 anos.

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Maria Helena Mira Mateus fotografada em 2008 NUNO FERREIRA SANTOS

A linguista e professora catedrática Maria Helena Mira Mateus morreu esta segunda-feira, aos 88 anos. A notícia foi avançada à agência Lusa por uma antiga colega de trabalho e “amiga de longa data”, Dulce Pereira, docente do Departamento de Linguística Geral e Românica da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL). Jubilada da FLUL, Maria Helena Mira Mateus chegou a ser vice-reitora da instituição entre 1986 e 1989.

Nascida em Carcavelos a 18 de Agosto de 1931, Maria Helena Farmhouse da Graça Mira Mateus licenciou-se em Filologia Românica na FLUL, em 1954, e doutorou-se em Linguística Portuguesa na mesma universidade em 1974, tendo concluído quatro anos mais tarde a sua agregação. Ali leccionou entre 1965 e 2000.

Ao longo da sua carreira, interveio em várias áreas, entre as quais as políticas da língua e o ensino do português, quer como língua materna quer como língua não materna e em contexto multilinguístico. Foi fundadora e presidente da direcção da Associação de Professores de Português, da Associação Portuguesa de Linguística e do Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC), e dirigiu a Revista Internacional de Língua Portuguesa desde o seu primeiro número, publicado em 1988, até 1997. Deve-se-lhe a criação, no âmbito do ILTEC, do grupo Língua e Diversidade Linguística, que desenvolveu, entre outros, o projecto A Turma Bilingue.

Co-autora da Gramática da Língua Portuguesa que teve a sua primeira edição em 1983, publicou em 2018 um livro de memórias, Uma Vida Cheia de Palavras (Edições Colibri), em que passava em revista a sua vida pessoal e familiar, mas também a sua autodescoberta enquanto linguista “num país onde a tradição impunha a análise filológica” — da escolha da fonética enquanto área de estudo privilegiada à influência de Noam Chomsky, o teórico da Gramática Generativa, linha de investigação a que viria também a dedicar-se.

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