Lave e lave as mãos. Mas saiba como pode poupar água agora que está fechado em casa

A Zero deixa três conselhos para poder poupar água em casa, o mais importante dos quais é diminuir a água que gasta no banho. A Quercus tem um projecto que ajuda a tornar o consumo doméstico mais eficiente

Foto
Reduzir a água gasta nos duches, nestes tempos de recolhimento, é essencial, diz a Zero Adriano Miranda

A situação actual não deixa margem para dúvidas: com uma parte considerável do país fechada em casa, o consumo de águas nas habitações dos portugueses, nestes dias em que se vive um estado de emergência, vai, certamente, aumentar. E, com ele, a conta a pagar no final do mês por este bem escasso. Ainda mais quando tem sido repetido que lavar as mãos é o primeiro e talvez o mais importante passo para evitar ficar infectado e que a este acto se associa, muitas vezes, uma limpeza mais generalizada, seja do corpo seja da própria casa. No domingo assinalou-se o Dia Mundial da Água e o momento foi aproveitado pela Zero e a Quercus para lembrar que é preciso poupá-la.

A associação ambientalista Zero deixa três medidas essenciais para que as famílias possam poupar água, garantindo assim “um uso doméstico sustentável” e que “a conta da água não atinge valores exagerados” nestes tempos em que a covid-19 enviou a maior parte dos portugueses para casa. E elas são fáceis de aplicar: poupar água nos banhos, encurtando o tempo do duche e, se possível, recorrendo a um chuveiro eficiente que pode poupar quase metade da água gasta por minutos. Também se pode utilizar um balde para aproveitar a água desperdiçada enquanto se espera que esta atinja a temperatura ideal, dando-lhe depois algum uso, refere a associação em comunicado.

Esta é para a Zero a medida mais importante, mas há outras duas - não caia na tentação de pôr a máquina da louça ou da roupa a lavar a menos que estejam cheias (e use programas económicos, que podem demorar mais tempo, mas em que menos água é consumida) e gira muito bem as torneiras e o autoclismo. A associação diz que 41% do consumo doméstico da água é feito na casa-de-banho, indo 28% deste volume para o autoclismo e 37% para a higiene pessoal. “Se lavar bem as mãos é um imperativo, fechar a torneira enquanto ensaboa e evitar desperdício é essencial”, diz a Zero em comunicado. No autoclismo, se não tem um equipamento de descarga dupla, pode sempre recorrer ao velho truque de colocar uma garrafa cheia ou outro volume no seu interior, reduzindo o volume de carga.

E, segundo a Quercus, que no último mês desenvolveu um inquérito sobre o consumo de água, no âmbito do projecto Ecocasa, a que responderam mais de mil pessoas, das 95% de pessoas que disseram que se preocupam com poupança de água, 13% nem sequer sabe o que é um autoclismo de descarga dupla, pelo que há aqui, de certeza, espaço para poupança.

Sobre os banhos o cenário não é mau, mas podia ser melhor. Menos de metade dos inquiridos (44%) diz gastar menos de oito minutos no banho, mas ainda há 4% de respostas que apontam para banhos demorados, com mais de 15 minutos.

Saber mais pode ajudar a poupar melhor, conforme se conclui do comunicado da Quercus, que refere que “a maioria dos inquiridos que se preocupa em poupar água em casa não faz ideia de quanto gasta uma torneira, que, se aberta durante um minuto, pode consumir 12 litros de água”.

Para quem está interessado em saber mais sobre quanta água consome em casa, a Quercus disponibiliza um simulador online, disponível em www.ecocasa.pt. Se precisar de ajuda para tornar esse consumo mais eficiente, também poderá encontrá-la a partir desta página, junto da equipa do projecto.

Este ano, o tema escolhido para marcar o Dia Mundial de Água foi a “Água e as alterações climáticas”, mas a pandemia do novo coronavírus SARS-Cov-2, como em tantos outros aspectos da nossa vida, tomou conta também deste assunto. Poupar, para evitar consumos excessivos quando está em casa passou a ser mais uma das palavras de ordem. Até porque a factura no final do mês vai reflectir o que gastar, já que nem todas as autarquias avançaram com medidas de redução ou isenção das tarifas, como aconteceu em alguns locais. 

E se, como 67% dos inquiridos da Quercus, acredita que a água é um recurso caro, tem mesmo de começar a poupar já.