Primeiro português infectado com o novo coronavírus é tripulante do navio de cruzeiro atracado no Japão

O homem de 41 anos, natural da Nazaré, trabalha a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess há cinco anos. Apesar do diagnóstico, não apresenta sintomas. DGS e Governo ainda não têm confirmação do resultado.

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O Diamond Princess está atracado, em Yokohama, no Japão desde dia 3 de Fevereiro Reuters/Athit Perawongmetha

O primeiro caso de um cidadão português infectado com o novo coronavírus foi detectado a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess, atracado há semanas no Japão. A informação foi primeiro avançada pela TVI 24, tendo sido confirmada pela mulher do português.

O homem, com 41 anos, faz parte da tripulação do navio há cinco anos onde exerce funções como canalizador. Natural da Nazaré, Adriano Luís Maranhão conheceu o diagnóstico às 14h deste sábado. Está no navio desde dia 13 de Dezembro, mas ainda não apresenta sintomas.

Contactada pelo PÚBLICO, fonte da Direcção-Geral de Saúde (DGS) diz que ainda não consegue confirmar o diagnóstico. A DGS nota que “tem conhecimento” que os cidadãos com passaporte português estão a ser testados, mas que ainda não recebeu os resultados. Dado o fuso horário (4h00, hora local), a confirmação oficial poderá apenas chegar daqui a algumas horas. 

"Vamos aguardar notícias oficiais do Japão”, disse a directora-geral de Saúde, Graça Freitas, em declarações à RTP. “Temos de aguardar confirmação oficial pela via da Saúde e pelo via do Ministério dos Negócios Estrangeiros para sabermos se os testes foram positivos, que tipo de testes foram feitos, e para termos também a certeza do estado de saúde do nosso concidadão, que aparenta estar bem.”

Para já, a informação também ainda não chegou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Num comunicado enviado à agência Lusa o ministério diz que “está em contacto com as autoridades japonesas” através da embaixada em Tóquio, e está a acompanhar “a evolução dos resultados dos testes que vão sendo realizados”, mas que ainda não há “informação da parte das autoridades japonesas de que haja algum caso confirmado de infecção com o coronavírus, entre os tripulantes portugueses do navio Diamond Princess”. O ministério liderado por Augusto Santos Silva acrescentou estar a acompanhar “os tripulantes portugueses e respectivas famílias”.

De acordo com um comunicado de meados de Fevereiro da Direcção-Geral de Saúde (DGS), há oito cidadãos com passaporte português a bordo do Diamond Princess, cinco tripulantes e três passageiros. Começaram a ser testados no dia 20 de Fevereiro, terminado o período de quarentena do Diamond Princess.

Graça Freitas reforçou que Portugal está preparado para apoiar os cidadãos portugueses a bordo do navio através da sua rede consular, mas que é preciso seguir o protocolo das autoridades de Saúde no Japão, “visto que são quem está no local e conhecem o risco e circunstâncias de cada uma das pessoas que tenha resultados positivos”.

Desde dia 3 de Fevereiro que a embarcação está atracada em Yokohama, no Japão, depois de o Governo japonês decretar quarentena obrigatória para as 3600 pessoas a bordo do navio. Trata-se de uma medida de prevenção para evitar mais infecções, depois de várias pessoas no navio terem sido diagnosticadas com o novo coronavírus (Covid-19). O processo de desembarque dos passageiros começou esta quinta-feira, após o fim do período de 14 dias de isolamento (considerado o período de incubação da doença Covid-19). Cerca de 600 pessoas já saíram, após serem feitos os testes. No caso de Luís Maranhão, o resultado foi positivo. Está em isolamento numa das cabines do navio.

Em declarações à TVI 24, a mulher do português, Emmanuelle Maranhão, diz que o marido “não tem sintomas”, mas “sente o corpo cansado”. Durante o período da quarentena, Luís Maranhão tinha mantido contacto regular com a família, notando que continuava a conviver e partilhar refeições com a restante tripulação do navio. “Só sei o caso dele, não sei o caso de mais ninguém”, disse Emmanuelle Maranhão. O casal tem três filhos menores.

“Neste momento está numa cabine, fechado, há sete ou oito horas, ou mais, sem apoio, sem medicação, sem tratamento, sem nenhum tipo de procedimento nem encaminhamento e sem comer sequer”, lamentou Emmanuelle Maranhão, referindo que tem tentado contactar quer o Governo, quer a embaixada, com quem conseguiu falar, quer a empresa do navio, mas sem obter mais informações. Entretanto, Marcelo Rebelo de Sousa contou que já falou ao telefone com a mulher do tripulante português e revelou que “ela estava naturalmente ansiosa e preocupada”, sem adiantar mais.

O facto de, contrariamente ao que acontecia com os passageiros, os tripulantes do cruzeiro tomarem as refeições no mesmo espaço, usarem os mesmos pratos e partilharem casas de banho já tinha sido alvo de críticas.

Até ao momento, foram detectados pelo menos 634 pessoas infectadas com a infecção de entre os 3711 passageiros e tripulantes a bordo do navio. Duas dessas pessoas morreram.

Na quarta-feira, as autoridades japonesas deram início à operação de desembarque dos passageiros saudáveis, findo o período de quarentena do navio, iniciado em 3 de Fevereiro, operação que terminou na sexta-feira.

Os sintomas de infecção por coronavírus incluem tosse seca, febre, fadiga e dificuldades respiratórias – sintomas semelhantes aos de uma gripe para a maioria das pessoas, embora uma pequena proporção dos doentes desenvolva pneumonia, com os casos mais graves a provocar falência de órgãos. Entre 31 de Dezembro de 2019 a 22 de Fevereiro de 2020 foram detectados mais de 77,8 mil casos de Covid-19 em todo o mundo. 

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