As frases que deixaram Abel Matos Santos debaixo de fogo

Na semana passada, o jornal Expresso revelou várias publicações feitas pelo ex-dirigente do CDS, entre 2012 e 2015, nas quais tecia elogios a Salazar e à PIDE e chamava a Aristides de Sousa Mendes “agiota de judeus”.

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Abel Matos Santos Miguel Manso/arquivo

As declarações tinham anos, mas foram recuperadas depois de Abel Matos Santos ter entrado na comissão executiva do CDS-PP, no último congresso. E acabaram por lhe custar esse mesmo lugar: o fundador da Tendência Esperança em Movimento (TEM) formalizou esta terça-feira a sua demissão.

A polémica começou na semana passada, depois de o jornal Expresso ter revelado várias publicações feitas pelo dirigente do CDS no Facebook, nas quais tecia elogios a Salazar e à PIDE e criticava Aristides de Sousa Mendes, o diplomata português que contrariou as ordens do Estado Novo e facilitou a fuga de milhares de refugiados judeus ao avanço das forças nazis durante a II Guerra Mundial. As declarações de Matos Santos motivaram fortes críticas por parte da comunidade israelita e levaram o centrista a apresentar “formalmente” um pedido de desculpa, salientando ter “o maior respeito e admiração pelo povo judeu”.

O que disse Abel Matos Santos?

Sobre Aristides de Sousa Mendes

Sobre Salazar

  • “Viva Salazar! E ele vive mesmo! Façam o que fizerem, mudem o nome da ponte que ele fez, apaguem nomes de ruas, mintam sobre ele, façam o que fizerem, nunca conseguirão apagar a sua memória e o seu vasto legado! Foi, sem dúvida alguma, um dos maiores e melhores portugueses de sempre!” — 27 de Julho de 2015, a acompanhar uma ligação da TSF (O que fazer com a memória de um ditador?​, que já não se encontra online);

Sobre a PIDE

  • A PIDE, “uma das melhores polícias do mundo” que só provocaria problemas “aos comunistas e àqueles que atentavam contra a segurança do Estado” e “muito bem” — comentários à publicação referida acima (27 de Julho de 2015);
  • “Quais torturas?” – questionava ainda sobre as práticas da PIDE, a 27 de Julho de 2015;

Sobre o 25 de Abril

  • “Mas o que comemoram eles? Háaa, já sei, é a Liberdade… A liberdade de abortar, de mudar de sexo de manhã e à tarde, de usar crianças de modo egoísta para satisfação de ideologias e projectos pessoais… (…) É isto tudo que hoje se comemora em Portugal! Um país outrora pluricontinental e plurirracial, hoje pluriendividado!” — 25 de Abril de 2016, publicação a propósito da efeméride, o “dia de lavagem cerebral”;
  • “Não posso votar favoravelmente uma moção que apoia um golpe de Estado, que por incompetência e leviandade acabou numa revolução, onde quem fez o golpe não ficou com o poder e o poder caiu na rua, dando azo a todo o tipo de anormalidades, que só não se tornou numa ditadura comunista devido ao contragolpe do 25 de Novembro” — Abril de 2010, numa intervenção numa Assembleia Municipal de Coruche (que pode ser consultada aqui), em que Abel Matos Santos se recusou a votar favoravelmente uma moção de saudação ao 25 de Abril de 1974;
  • “A questão é: Era preciso uma Revolução? O país crescia mais de seis pontos percentuais por ano, a guerra do Ultramar estava ganha, havia emprego e estabilidade, Portugal era reconhecido internacionalmente, tudo estava calmo!” — Abril de 2010, durante a mesma intervenção na Assembleia Municipal de Coruche;
  • “Foi isto que Abril nos trouxe! Nada mais do que isto! Um golpe de Estado, um acto duvidoso de uns quantos oficiais do quadro permanente, por questões corporativas e salariais, apoiados por desertores no exterior (imagine-se que um deles pretende hoje, ser Presidente da República), que nos quiseram trazer os famosos 3 D’s - Descolonização, Democracia e Desenvolvimento” — Abril de 2010, Assembleia Municipal de Coruche.
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