Sebastião Salgado documentou a “febre do ouro” no eldorado brasileiro

Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
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Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado

“O que tem esse metal amarelo e opaco que leva os homens a abandonar os seus lugares, vender os seus pertences e cruzar um continente para arriscar a sua vida, os seus ossos e a sua sanidade por um sonho?” Foi a busca por uma resposta a esta questão que conduziu o célebre fotógrafo Sebastião Salgado até às minas de ouro da Serra Pelada, no município de Curionópolis, no sudeste do Pará, no Brasil. Durante 33 dias, e após seis anos da primeira tentativa de entrar na mina, o fotógrafo brasileiro viveu entre os milhares de trabalhadores e foi, de acordo com as suas palavras, o repórter que mais tempo permaneceu no local. 

“A Serra Pelada foi um dos sítios mais especiais que vi em toda a minha vida”, relembra, em entrevista à TV Globo. Era, aquando da visita de Salgado, o ano de 1986 e já muitos repórteres tinham visto e fotografado a mina. "No dia em que eu cheguei na beira daquela cratera [de 200 metros de largura e outros 200 de profundidade], fiquei arrepiado. Eu achei que estava preparado para ver aquele cenário porque já tinha visto muito na televisão e em revista, mas quando vi aquilo, pessoalmente, remeteu-me para a construção das pirâmides do Egipto, para as minas do rei Salomão." Sentiu que "um pedaço de História" decorria diante dos seus olhos.

Foi em 1979 que pela primeira vez se encontrou ouro na Serra Pelada. "A mina empregava cerca de 50 mil trabalhadores em condições infra-humanas", descreve a Taschen no comunicado que dirigiu ao P3. Homens cobertos de terra subiam e desciam, freneticamente, por longas escadarias de madeira com sacos às costas, cheios de terra e minério, que podiam pesar até 40 quilos. "Hoje, aquela selvagem febre do ouro do Brasil não é mais do que uma lenda que se mantém viva graças a alguns momentos felizes, mas sobretudo a muitos lamentos dolorosos." A violência dentro da mina era comum, assim como na aldeia que nasceu para albergar os trabalhadores.  

Após ter terminado o trabalho, Sebastião Salgado não o publicou. "Já todos tinham, nessa altura, publicado algo sobre a mina", justifica. "Além disso, vivíamos o grande período da cor", refere, chamando a atenção para o facto de ter registado a preto e branco. O melhor seria deixar a série de fotografias "na gaveta" até se tornar, novamente, pertinente a sua publicação. Esse momento chegou em Novembro de 2019, quando a Taschen publicou Gold, um novo livro de um trabalho que, embora datado, tem valor de registo intemporal.

Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil
Mina de ouro da Serra Pelada, Estado do Pará, Brasil ©Sebastião Salgado
Capa do fotolivro GOLD, de Sebastião Salgado
Capa do fotolivro GOLD, de Sebastião Salgado
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