Opinião

Um país sem liberdade

A necessidade de negociar com governos estrangeiros a situação de Henrique Galvão e Humberto Delgado foi vivida com muita relutância e hipocrisia pelo regime.

Henrique Galvão e Humberto Delgado foram dois notáveis personagens da nossa história do século XX. Ambos foram assumidos apoiantes de Salazar e do Estado Novo, até meados do século passado e ambos foram, posteriormente, inimigos figadais do mesmo Salazar e Estado Novo. Ambos eram militares, ambos tinham uma enorme coragem e ambos, sendo figuras destacadas do Estado Novo, enfrentaram pessoalmente o regime. Galvão pagou cara a sua ousadia, passando mais de sete anos da sua vida nas sinistras prisões da PIDE até conseguir evadir-se, em 15 de Janeiro de 1959, do Hospital Santa Maria, onde estava preso em tratamento. Delgado, pelo seu lado, ao candidatar-se à Presidência da República em 1958 contra o almirante Américo Tomás, o candidato do regime, selou o seu destino quando afirmou publicamente que, se ganhasse as eleições, “obviamente” demitia Salazar. Foi assassinado pela PIDE, a polícia política do regime, em 13 de Fevereiro de 1965 perto de Badajoz.