Sou vegan e estou grávida. E agora, há risco?

A alimentação vegan na gravidez, o impacto do bacalhau na dieta da grávida, os desconfortos e as viagens na gravidez são temas em debate dia 28 de Setembro, durante o 4.º Simpósio Nacional da Grávida, em Vilamoura.

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Além da alimentação "vegan" na gravidez, estão em debate temas como a criopreservação das células estaminais e um puerpério saudável Adriano Miranda

Rita Parente, 28 anos, co-autora do livro Vegan para Todos, continuou com uma alimentação vegetariana durante a gravidez, “com poucos alimentos processados e à base de alimentos integrais”. E correu tudo às mil maravilhas, conta hoje. já com um bebé de três meses saudável ao colo. Ainda assim, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, alerta que “a mãe deve fazer uma alimentação vegan com a consciência de que pode estar a colocar em risco a saúde do filho, porque pode não estar a assegurar o porte diário de todos os nutrientes necessários para a saúde do bebé”.

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Rita Parente, 28 anos, co-autora do livro Vegan para Todos, continuou com uma alimentação vegetariana durante a gravidez, “com poucos alimentos processados e à base de alimentos integrais”. E correu tudo às mil maravilhas, conta hoje. já com um bebé de três meses saudável ao colo. Ainda assim, a bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, alerta que “a mãe deve fazer uma alimentação vegan com a consciência de que pode estar a colocar em risco a saúde do filho, porque pode não estar a assegurar o porte diário de todos os nutrientes necessários para a saúde do bebé”.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas aconselha a grávida vegan a fazer uma vigilância com o seu obstetra e nutricionista, porque está a “excluir tudo o que são fontes alimentares de origem animal”. Para Alexandra Bento, “é preciso ter muita cautela, conjugar os alimentos com muito conhecimento, para ter a certeza de que não há défice nutricional”. A bastonária sugere ainda a fazer um suplemento de B12 que os produtos de origem vegetal não têm. Há ainda outros nutrientes, por exemplo “o cálcio, o ferro, o zinco e as proteínas que se encontram mais nos alimentos de origem animal”, adverte, explicando que ingerimos “mais proteínas comendo um pedaço de peixe e ovo do que excluindo-os da alimentação”. Contudo, ressalva, “os alimentos de origem vegetal também têm proteínas”. Como o feijão, os brócolos, os frutos secos e o tofu, descreve Rita Parente, vegan há quatro anos, que assegura que não lhe faltaram nutrientes na alimentação, durante os nove meses de gestação, e que tinha sempre bons resultados nas análises de sangue.

“Estou a amamentar o meu filho que está óptimo, está no percentil 75”, diz, contente, Rita Parente que no dia 28 de Setembro fala sobre alimentação vegan na gravidez, durante o 4.º Simpósio Nacional da Grávida, no Hotel Hilton Vilamoura. A experiência vai ser também contada pelo companheiro André Nogueira, 30 anos, fotógrafo, co-autor com Rita do livro Vegan para Todos, com várias receitas vegetarianas. 

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Nelson Garrido

“Foi uma jornada muito positiva e tranquila, sem qualquer preocupação adicional”, desabafa a designer gráfica, também autora do blogue Cocoon Cooks. “Não é por estar grávida que vou passar a comer produtos de origem animal”, sublinha Rita Parente que manteve os hábitos alimentares, tomando apenas ácido fólico como qualquer outra grávida.

O casal não pretende “passar por nutricionistas, mas inspirar outras pessoas que querem comer menos produtos de origem animal”, refere Rita. No caso dos criadores do blogue Cocoon Cook, a alimentação é feita mais à base de leguminosas, como feijão, grão, tofu e cereais integrais. Os ingredientes de eleição são, por norma, grão-de-bico, brócolos, arroz integral, aveia e banana. 

O objectivo desta iniciativa, organizada pelo Grupo HPA Saúde em parceria com o Laboratório Bebé Vida, banco de tecidos e células 100% português, é “responder às mais variadas dúvidas dos pais” durante o período de gestação, elucida Teresa Lopes, da organização do evento. Além da alimentação vegan na gravidez, estão em debate temas como o impacto do bacalhau na dieta da grávida, os desconfortos e as viagens na gravidez, a criopreservação das células estaminais e um puerpério saudável. Participam profissionais de saúde, desde enfermagem, ginecologia e obstetrícia.

“É importante perceber que a gravidez não é uma doença como antigamente se pensava”, conclui Teresa Lopes.