Caçadores admitem criar partido contra “ameaça” de aliança PS-PAN

A Fencaça, que diz representar mais de 120 mil caçadores, teme que uma possível aliança PS-PAN seja uma “séria ameaça” ao mundo rural.

Jacinto Amaro, presidente da Fencaça
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Jacinto Amaro, presidente da Fencaça Rui Gaudencio/Publico

A Federação Nacional das Zonas de Caça Associativas (Fencaça) admitiu nesta segunda-feira criar um partido político em defesa do mundo rural face à possibilidade de uma aliança de governação do país entre o PS e o PAN.

“Se se mantiverem as previsões que as sondagens apontam, o Partido Socialista ganhará as próximas eleições com maioria absoluta - e daí não virá mal algum - ou estará próximo dela - e aí é que está o busílis da questão”, diz o comunicado da Fencaça, cujo presidente, Jacinto Amaro, “representa hoje cerca de 120 mil caçadores”.

“Irá o Partido Socialista fazer um entendimento com o PAN?”, pergunta a federação. Se isso acontecer, acrescenta, “só nos resta prepararmo-nos para criar uma plataforma ou um partido que junte todos os agentes ligados ao mundo rural e às tradições, para nos confrontarmos no Parlamento com as mesmas armas”.

A Fencaça justifica a criação desse partido ou plataforma com o facto de os caçadores terem deixado “de contar com os partidos tradicionais” para se defenderem assumindo, por isso, a sua “própria defesa”.

“Se nos juntarmos seremos seguramente muitos mais do que o PAN”, conclui.

“Um partido como o PAN num Governo com o PS é uma séria ameaça ao mundo rural. Se tal acontecer não vamos ficar parados. Temos de ser nós a defender o mundo rural”, disse ao PÚBLICO Jacinto Amaro.

Em Portugal existem cerca de 250 mil caçadores com carta para caçar.