Como o “alarme social” e a “repressão” minam o combate à droga no Porto

Não há mais traficantes nem consumidores. Apenas um velho problema com nova “visibilidade”. O olhar de quem estuda a matéria. E a experiência e achegas de quem combate o problema nas ruas do Porto

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Paulo Pimenta

Agostinho Rodrigues estremece sempre que ouve alguém anunciar “uma solução” para o problema do combate à droga. Até hoje, diz, nenhum país do mundo a descobriu. Não por falta de empenho ou desinvestimento. Mas porque a droga não é substantivo que se apague - apenas se pode controlar. Mais de quatro décadas de estudo da matéria e de pés no terreno trouxeram ao presidente da Associação Norte Vida calo e conhecimento capazes de garantir uma coisa: “Para fenómenos complexos não existem soluções simples.” E o “alarme social” e “pânico moral” a ganhar lastro nos últimos meses no Porto são marcha atrás num caminho de convivência desejável. É esse “discurso polarizado” que tem conduzido Rui Coimbra Morais numa espécie de viagem no tempo até aos anos 90, quando o “estigma” do toxicodependente era enorme e o esquecimento de que também “o adicto é uma pessoa” era comum. “Às vezes parece que acordei no passado e a História não serviu para nada”, lamenta o presidente da CASO - Consumidores Associados Sobrevivem Organizados.

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