Crítica

O piano a cores de Filipe Raposo

Inaugurando a “trilogia das cores”, o pianista desenvolve um criativo ensaio sonoro entre a cor e a música.

Neste ensaio sonoro Filipe Raposo partiu de uma curiosa reflexão sobre o ocre
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Neste ensaio sonoro Filipe Raposo partiu de uma curiosa reflexão sobre o ocre António Marinho da Silva

Estreou-se em disco com First Falls, em 2011, onde já se evidenciava a qualidade técnica, combinada com elegância e sobriedade. Foi distinguido o Prémio Amália Rodrigues - Artista Revelação e solidificou o seu percurso discográfico com os discos A Hundred Silent Ways (2013) e Inquietude (2015). Em parceria com Rita Maria editou o álbum Live In Oslo (2018), numa vertente mais jazzística, um trabalho desenvolvido a meias com a cantora portuguesa galardoada com o Prémio RTP / Festa do Jazz 2018. Agora Raposo inaugura a Trilogia das Cores, ensaios sonoros que exploram a ligação entre cores e música. Raposo começa pelo ocre (variação do vermelho, entre o castanho e o alaranjado), que não é propriamente uma cor popular; a opção do músico passa por esta estar no nascimento da arte, por ter sido o pigmento usado nas pinturas rupestres. Se a proposta invulgar, o formato do objecto também não é tradicional, não se trata de um simples disco, Raposo apresenta um disco-livro, um “2 em 1”, numa co-edição da editora livreira Tinta da China (objecto físico) com a Lugre Records (edição digital). Øcre combina composições originais de Raposo com arranjos pessoais de temas tradicionais (de Trás-os-Montes e dos Açores) e de música erudita (de Bach e Monteverdi).