Porto Pianofest abre com jazz e encerra com Debussy

Quarta edição do festival tem mais dias e, além dos pianistas e professores convidados, uma vintena de jovens intérpretes maioritariamente vindos da América do Norte e da Ásia.

Fotogaleria

Começou já na segunda-feira com uma maratona de sete horas de piano a surpreender os passageiros e os visitantes da Estação de S. Bento, mas a quarta edição do Porto Pianofest inicia-se verdadeiramente esta quinta-feira na Casa da Música (Sala Suggia, 21h), com um concerto pela Orquestra Jazz de Matosinhos & João Paulo Esteves da Silva.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Começou já na segunda-feira com uma maratona de sete horas de piano a surpreender os passageiros e os visitantes da Estação de S. Bento, mas a quarta edição do Porto Pianofest inicia-se verdadeiramente esta quinta-feira na Casa da Música (Sala Suggia, 21h), com um concerto pela Orquestra Jazz de Matosinhos & João Paulo Esteves da Silva.

Depois de no ano passado ter experimentado a ligação com o ballet, Nuno Marques, pianista e director deste festival que reúne jovens intérpretes de todo o mundo, decidiu voltar a abrir o programa a outras artes e expressões musicais. “Até agora, mantivemo-nos numa vertente mais clássica, mas o grande sucesso da experiência do ano passado com o ballet levou-nos a querer fazer este ano algo diferente”, diz ao PÚBLICO o criador do Porto Pianofest, justificando o convite feito àquela orquestra de jazz para abrir a quarta edição.

“João Paulo Esteves da Silva e a Orquestra Jazz de Matosinhos vão apresentar o álbum Bela Senão Sem [2013], música de inspiração folclórica portuguesa com tratamento de jazz para big band e piano, com muita melodia popular e onde se reconhece a sonoridade muito portuguesa das ‘canções sem palavras’ do pianista e compositor”, diz Nuno Marques. A Sala Suggia voltará assim a acolher um concerto que aí se estreou em 2011, e que dois anos depois passou a disco, com a chancela da editora Tone Of A Pitch.

Outra novidade do Porto Pianofest 2019 será o alargamento do calendário, que passará a ter nove dias. O festival vai encerrar também com um músico convidado – Judith Jáuregui, uma jovem pianista que Nuno Marques diz ser “um dos grandes valores da nova geração musical de Espanha”, e que este ano editou um disco de homenagem a Claude Debussy. Além do compositor francês, Jáuregui irá interpretar obras de Falla, Liszt, Ravel e Chopin (dia 9, no Salão Árabe do Palácio da Bolsa).

A componente mais pública do festival contará ainda com recitais pelo próprio Nuno Marques, em trio com Ana Madalena Ribeiro (violino) e Fernando Costa (violoncelo), interpretando peças de Chostakovitch e Brahms (dia 3, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto); de Mariel Mayz, pianista e compositora norte-americana que virá tocar obras suas (dia 6, no Salão Nobre da UP); e, uma vez mais no Porto, do espanhol José Ramón Méndez (dia 2, Salão Nobre da UP), que assim fará o pleno das suas presenças no festival. “Desde o primeiro ano que toda a gente pediu que ele voltasse”, explica Nuno Marques, revelando que o seu regresso ficou logo acertado no final do concerto em 2018.

Méndez, professor na Universidade Northwestern, em Chicago, voltará, de resto, a dirigir uma masterclass no Porto, o mesmo acontecendo com o professor canadiano Jean Saulnier, da Universidade de Montréal. A presença destes dois nomes de algum modo justifica – nota o director – que a maioria dos 20 estudantes e pianistas que vêm participar no Porto Pianofest, cujas aulas decorrem no Conservatório de Música do Porto, seja oriunda dos EUA e do Canadá. Mas os participantes vêm também da China e de Taiwan, países que “estão a crescer exponencialmente na música, e no piano em particular”, salienta.

Nuno Marques continua também radicado em Nova Iorque, onde, em paralelo com a actividade de músico e professor, concluiu no passado mês de Abril o doutoramento na Mason Gross School of the Arts da Rutgers University com uma tese sobre a “idade de ouro” da música portuguesa para piano, no início do século XX, e um enfoque especial em figuras como Vianna da Motta e Luís de Freitas Branco.

O programa do Porto Pianofest inclui ainda uma exposição do fotógrafo residente do festival, André Rodrigues, na Casa Comum da Reitoria da UP, que ficará até ao final do mês de Agosto, com entrada gratuita.