O último sopro do vidro

O vidro é mel. Dentro do forno, antes de ser trabalhado, e atraindo todos os olhares, depois de passar pelas mãos de artesãos como Cláudio Duarte, 40 anos, para muitos o último mestre vidreiro da Marinha Grande.

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Líquido, como lava, dentro do forno o vidro não tem forma. É só uma luz alaranjada, incandescente, que tudo cobre: paredes, misturadora, fundo. Depois, o mestre introduz a cana, aquele tubo de metal por onde os vidreiros sopram para “encher” o vidro, que rodam para lhe dar forma, e colhe uma bola de matéria-prima. “Parece mel,” diz Cláudio Duarte, o mestre vidreiro de 40 anos que começou na arte aos onze anos, porque quis. E é exactamente como se mergulhasse uma colher num pote dourado e dela extraísse o líquido viscoso, elástico, doce. A bola é o princípio. O resto é arte.

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