Em 2016, Lucky Hell fez uma intervenção de arte urbana nas ruas de Aveiro com a imagem como tema Adriano Miranda

O Menino da Lágrima, o quadro que assombrou mil infâncias e casas portuguesas

Inspiração de milícias e mitos urbanos, foi sobretudo uma curiosa moda de decoração do final do século XX: o febril apreço por ter uma criança angustiada na parede. Parece uma mania nacional mas chegou a muitos países — até à muito cool Suécia. Primeiro texto da terceira série Objectos (quase) obsoletos, em que olhamos para o que foi substituído, eliminado ou transformado nas casas portuguesas nas últimas décadas.

O Menino da Lágrima é uma viagem. Ao passado e aos medos da infância nas casas portuguesas, com certeza — “Para uma criança, este quadro tornava-se uma pequena maldição na casa dos antigos”, como recorda Pedro Alves, da loja de antiguidades açoriana Sótão d’Avó. Mas é também um bilhete de entrada no mundo do jornalismo tablóide, do fascínio por mitos urbanos e da cultura popular. O Menino da Lágrima parece ser uma mania portuguesa mas pertence ao mundo. Partimos da penumbra de mil corredores portugueses para o Reino Unido, Itália e Suécia e para um 2019 onde a Internet ainda não conseguiu acertar na história destes quadros.