Os “Blues Brothers” vão defrontar-se a partir do banco

Os “velhos” amigos Frank Lampard e John Terry serão nesta segunda-feira adversários por um dia no confronto em Wembley entre dois históricos do futebol inglês, Derby County e Aston Villa, por um milionário lugar na Premier League.

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John Terry CARL RECINE/REUTERS
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Frank Lampard CARL RECINE/REUTERS

Não há segunda divisão do futebol mundial com mais história do que o Championship. Em 2018-19, foram dez os antigos campeões ingleses em 24 participantes no segundo escalão, e dois destes antigos campeões vão defrontar-se nesta segunda-feira em Wembley pelo lugar que resta na Premier League da próxima época. Derby County ou Aston Villa, um deles irá estar no escalão máximo a beneficiar dos superlucrativos contratos televisivos, mas este duelo tem outra camada narrativa para lá da história e dos milhões. Será um confronto a partir do banco entre “velhos” amigos que ganharam muita coisa juntos em 13 anos como “blues brothers” (irmãos de azul) no Chelsea: Frank Lampard e John Terry.

Ambos estão a dar os primeiros passos como treinadores, Lampard como técnico principal do Derby County e Terry como adjunto no Aston Villa, uma carreira que acaba por ser um prolongamento natural do que foram como jogadores. Ambos foram líderes em campo e, nessa condição, ajudaram o Chelsea a afirmar-se como uma das forças dominantes do futebol inglês nas últimas duas décadas, Lampard como um médio goleador, Terry como comandante da defesa. Quando um não era capitão de equipa, era o outro e juntos, ganharam três títulos de campeão na Premier League, duas Taças da Liga, quatro Taças de Inglaterra, uma Liga Europa e uma Liga dos Campeões.

Com toda uma vida desportiva de sucesso em comum, Lampard e Terry também tiveram as mesmas origens futebolísticas, no West Ham United. Lampard fez toda a sua formação e afirmação como sénior nos “hammers”, o clube do seu pai (Frank Lampard Sénior) e do tio (Harry Redknapp), enquanto Terry dividiu a sua formação entre o West Ham e o Chelsea. Em 2001, Lampard mudou-se para Stamford Bridge e começou aqui a longa relação com John Terry. Ambos estiveram na génese do milionário Chelsea quando Roman Abramovich e foi com eles que José Mourinho construiu uma equipa vencedora a partir de 2004.

Mourinho é, aliás, a grande referência para ambos em termos de treinador. Terry confessou recentemente que preencheu cadernos com todos os pormenores das sessões de treino durante os anos em que conviveu com o “Special One”. E não só. “Coisas que ele dizia nas reuniões, coisas que ele dizia aos jornalistas. E depois das sessões de treino, escrevia tudo num caderno. Tenho os cadernos todos e sei que me vão ser úteis”, escreveu o antigo central no artigo do “The Coaches Voice”. Lampard também assumiu a influência do técnico português quando o seu Derby County defrontou (e derrotou) no início da época o Manchester United ainda com Mourinho na Taça da Liga inglesa: “Melhorei muito e fiquei mais confiante como jogador quando trabalhei com ele.”

Para já, é Lampard, de 40 anos, quem está mais adiantado na carreira como treinador. Houve muita desconfiança em torno da sua nomeação para liderar o Derby County, mas, como treinador novato, conseguiu colocar a equipa em posição de “play-off” e, na primeira ronda, conseguiu eliminar o Leeds United de Marcelo Bielsa. Já Terry, dois anos mais novo que “Lamps”, entrou já com a época a decorrer para a equipa técnica dos “villains” e os elogios têm sido muitos à sua natureza de rigor e liderança. E ambos estão na linha da frente para, num futuro não muito distante, chegarem àquela que seria a cadeira de sonho para ambos, a de treinador do Chelsea. Em relação a Lampard, pelo menos, fala-se dele como possível substituto imediato de Sarri caso o italiano não fique em Stamford Bridge.

O pontapé de saída entre o Derby de Lampard e o Villa de Terry está marcado para as 15h e, quem ganhar, habilita-se a ganhar muitos milhões na próxima época, tal como já aconteceu com Norwich e Sheffield United, os dois primeiros da Championship. Este “play-off” da Championship é tido como o jogo mais lucrativo do futebol internacional, mais do que, por exemplo, ganhar a final da Liga dos Campeões, porque a Premier League dá muito dinheiro a quem nela participa, mesmo que fique em último lugar – o Huddersfield, mesmo terminando em último, recebeu nesta temporada 106 milhões de euros e terá direito a mais 86 milhões garantidos se passar as duas próximas temporadas na Championship.