As cinco principais figuras do 37.º título do Benfica

Jovens apostas, protagonistas recuperados e outros jogadores que começaram a corresponder às expectativas. Da defesa ao ataque, aqui estão cinco futebolistas que maximizaram a conquista colectiva “encarnada”.

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Foram muitos os golos festejados efusivamente por jogadores e adeptos do Benfica ao longo do campeonato LUSA/MIGUEL A. LOPES

Um Grimaldo sem lesões não precisou de substitutos

O defesa esquerdo foi um dos exemplos de consistência do plantel “encarnado”. Entrou como titular em todos os jogos do campeonato e esteve em campo até ao apito final (excepto na 4.ª jornada, frente ao Desp. Aves, onde jogou 82 minutos) – o que o torna o jogador do Benfica com mais minutos desta I Liga (3052 minutos), sem contar com o guarda-redes Vlachodimos.

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A jogar numa das posições em que o Benfica tinha menos alternativas de qualidade, o espanhol foi um pêndulo de regularidade, apesar de ser um elemento que se destaca mais a atacar do que a defender. Depois de um “calvário” de lesões que lhe interrompiam o ritmo, esta foi uma época atarefada e atípica para o espanhol desde que chegou à Luz.

Fora de campo, Grimaldo ainda chegou a contestar a postura dos adeptos do Benfica. Num dos momentos mais complicados da época dos “encarnados”, em Novembro, o espanhol desabafou: “Não entendo por que os adeptos não estão connosco. Nas vitórias estamos juntos, mas agora que estamos a sofrer e precisamos deles, os adeptos não estão connosco”. O rumo dos acontecimentos mudou e acabou em título.

A segunda volta olímpica de Samaris

Com Rui Vitória, o médio grego ficava no banco, chegava a não ser convocado e parecia ser uma “carta fora do baralho”. Com Fejsa, Gabriel, Gedson e Florentino, Samaris só surgiu em campo apenas num minuto de jogo frente ao FC Porto, na 7.ª jornada, e em cinco minutos frente ao Tondela, na 10.ª ronda.

Bruno Lage assumiu o comando técnico do Benfica a partir da jornada 16, em Janeiro, e duas rondas depois viu-se obrigado a lançar Samaris no “onze” devido a lesão de Fejsa. O rejuvenescimento de Samaris deu-se a partir daí e o grego tornou-se titular praticamente indiscutível até ao fim deste campeonato.

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Aos 29 anos e a falar fluentemente português depois de cinco temporadas na Luz, o grego estará num dos seus melhores momentos de forma. Antes de o título estar garantido, o jogador renovou contrato com o Benfica após um longo período de negociações e não escondeu a alegria que ganhou com o apoio dos adeptos. "Nunca aconteceu na minha vida. O que acontece em campo é a minha verdade. Como eu mostro os meus sentimentos dentro de campo os adeptos também mostram o deles. É algo que me deu força para poder ultrapassar tudo o que pode acontecer. Nesta época houve momentos menos bons, mas acima de tudo houve sempre trabalho e alegria, ambição obviamente de que as coisas iam correr bem”, revelou o grego após a renovação.

João Félix é o jovem de que todos falam

Com o número 79 nas costas, 19 anos e um ar tímido, mostrou em cerca de 15 minutos que podia vir a ser um jogador influente no futuro do plantel benfiquista numa das primeiras oportunidades que teve. Com o Benfica a precisar de um golo frente ao Sporting, logo na 3.ª jornada, Félix entrou aos 71’ e fez o empate aos 86’, levando a Luz à loucura. Muitos adeptos que suspiravam com as exibições que Félix fazia na equipa B, viram, finalmente, a coqueluche “encarnada” começar a brilhar na equipa principal — ele que se tinha estreado apenas sete dias antes.

Quer a jogar à direita ou no apoio ao ponta de lança (especialmente aqui), saltam à vista as capacidades de João Félix na procura de espaço com e sem bola, em duelos físicos, no remate e no drible. Numa época de emoções fortes, para já alcançou uma série de recordes notáveis — foi, por exemplo, o mais jovem português da história a realizar um hat-trick nas competições europeias, ou o segundo mais jovem a marcar nos seus dois primeiros derbies contra o Sporting.

Apesar de ter sido lançado por Rui Vitória, foi Bruno Lage que lhe ofereceu o estatuto de indiscutível. Félix respondeu com exibições de gala e golos, terminando a prova com 15.

Melhor Rafa Silva não era possível em momentos decisivos 

Velocidade e poder de decisão nos momentos de aperto e golos. Depois de se questionar a qualidade do avançado que o Benfica contratou ao Sp. Braga em 2016/17 e que custou mais de 16 milhões de euros aos cofres benfiquistas (continua a ser a mais cara transferência de um jogador entre clubes portugueses), esta foi (finalmente) a época de afirmação de Rafa. Depois de conseguir tomar o lugar do argentino Franco Cervi no lado esquerdo do ataque, o campeão europeu de 2016 pela selecção nacional marcou golos que valeram “ouro”: o bis num empate tirado a ferros em Chaves, na primeira volta; no jogo decisivo frente ao FC Porto, no Dragão; e mais dois golos na 32.ª jornada, na Luz, que “desbloquearam” uma partida que os “encarnados” perdiam frente ao Portimonense.

Para o entusiasta de apostas desportivas nos tempos livres, foram 17 golos no campeonato — foi o segundo melhor marcador do Benfica (apenas atrás de Seferovic). Mas não só. Esta foi a época em que Rafa mais minutos jogou com a camisola encarnada, suplantando os 1808 de 2016/17. Números suficientes para que Luís Filipe Vieira lhe acenasse com a renovação de contrato por mais três anos, fazendo com que o avançado fique ligado às “águias” até 2024.

Nunca Seferovic marcou tantos golos, quanto mais ser o “rei”

A qualidade do avançado suíço nunca esteve em causa, mas as apostas estavam a recair noutros elementos, até que a sua real oportunidade teve forçosamente de chegar — o tempo das lesões de Jonas prolongou-se e os reforços Ferreyra e Castillo não se afirmaram.

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Batalhador, bom nos ares, capaz de tomar boas decisões de costas para a baliza e com um instinto goleador que se apurou com a sua utilização a titular de forma regular, Seferovic terá um ano para mais tarde recordar. Nunca o jogador tinha marcado tantos golos (23 na Liga e 27 no total da temporada) só ao serviço de um clube.

Fez com João Félix uma dupla mortífera para as defesas adversárias (coincidência ou não, o Benfica não foi capaz de vencer os dois únicos jogos que Seferovic falhou na I Liga com Bruno Lage no comando técnico — frente ao Belenenses SAD e Moreirense) e acaba a temporada como rei dos goleadores. Inesperado, no mínimo, para um jogador que, no início da época, era apontado como sendo dispensável. E não foi só no Benfica que o avançado helvético se destacou. Na selecção, em Novembro, colocou a Suíça na final a quatro da Liga das Nações depois de ter marcado três golos à Bélgica.