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Judo paralímpico: a “força” de Miguel está dentro e fora do tatami

Rodrigo Antunes
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Em Angola, Miguel Vieira já praticava judo, “mas não era nada de sério”. Uma doença rara, que o deixou cego, trouxe-o até Lisboa, em 2005, em busca de uma cura. Não conseguiu vencer a doença, mas também não deixou que ela o derrubasse – e as medalhas que conquistou no tatami são prova disso.

O projecto de fotografia documental Cegueira Olímpica, desenvolvido pelo fotojornalista da agência Lusa Rodrigo Antunes durante a masterclass Narrativa – conduzida por Mário Cruz sob a chancela da Fujifilm – mostra as vitórias do atleta para além do tapete de judo. Isto porque, em Portugal, Miguel Vieira teve de adaptar-se à sua nova condição ao mesmo tempo que ultrapassava todos os desafios inerentes a um processo de imigração. “O Miguel teve de reaprender a viver, aos 20 anos, num país diferente”, explicou o fotógrafo ao P3, em entrevista telefónica. “Hoje, aos 33, é casado e pai de três filhos; prepara a sua entrada na universidade, trabalha, ou seja, tem um emprego e ainda treina diariamente para participar (e brilhar) nos Paralímpicos de Tóquio, que irão realizar-se em 2020.”

Rodrigo documentou o quotidiano do atleta durante três meses e foi testemunha dos obstáculos que ele enfrenta diariamente, enquanto invisual e atleta. “O Miguel precisa de ajuda de alguém para viajar de comboio – e as viagens são necessárias para frequentar os treinos no Clube Judo Total, na Ameixoeira.” A sua cadela-guia não consegue ajudá-lo neste contexto. “Os degraus são enormes, não há sinais sonoros... É um desafio.” Enquanto atleta, Miguel recebe poucos apoios. “Muitos atletas paralímpicos têm empregos e são forçados a tirar férias para poderem participar nas competições. E chegam a pagar as próprias deslocações, quando se trata de torneios fora do país. Passam por grandes dificuldades ao mesmo tempo que trazem ao país um elevado número de medalhas. São um exemplo de força.”

O resultado dos trabalhos desenvolvidos na masterclass estará em exposição entre os dias 16 e 23 de Maio, no Palácio Anjos, em Algés. E a história de Miguel pode ser recordada, em detalhe, na reportagem do PÚBLICO de 2016.

Rodrigo Antunes
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