Inês Fernandes

Dos barcos de pesca já não sai só peixe. Há lixo a voltar para terra

Nas primeiras vezes que o mestre António Coentrão trouxe lixo para terra recebeu olhares de soslaio. Hoje, já não está sozinho nessa missão. A iniciativa “A pesca por um mar sem lixo”, da Docapesca, chegará, em breve, a Matosinhos, um dos portos onde a Universidade do Porto está a tratar das redes-fantasma, num projecto tecnologico que envolve os pescadores.

O relógio aponta 8h30, mas o dia já vai longo no porto de pesca de Matosinhos, no Porto. Há peixe a ser descarregado, redes a serem limpas, barcos a partir e outros a chegar. A maré baixa desta sexta-feira, influência da super-Lua da noite anterior, coloca a descoberto o lodo dos três cais. Ao mesmo tempo, permite que as embarcações atracadas não oscilem entre os movimentos de sobe e desce dos pescadores que, em sacos plásticos colocados empilhados junto à berma do cais ou nos contentores próprios, vão devolvendo à terra o lixo que foi, ou poderia ter sido, deitado ao mar. O cenário pode não ser digno de fotografia, mas dá o alerta: há uma mudança na postura dos pescadores face ao lixo marinho. Que podem vir a contar com um apoio tecnológico importante, em desenvolvimento, para retirar das águas as redes que se perdem, e que poluem o oceano.