Clubes querem tecnologia da linha de golo e alterações aos empréstimos de jogadores

As alterações foram avançadas pelos emblemas dos dois principais campeonatos de futebol profissional português, que recusaram alterar o modelo actual de competição, com 18 equipas.

Pedro Proença
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Pedro Proença LUSA/MANUEL ARAÚJO

Os clubes da I e II Ligas de futebol querem a implementação da tecnologia da linha de golo (TLG) nas competições profissionais. Esta é a principal conclusão das jornadas anuais da Liga de clubes, que decorreram nesta quarta-feira, no Estádio da Luz, e que reuniram os clubes dos campeonatos profissionais portugueses.

Na conclusão dos trabalhos, Pedro Proença, presidente da Liga, confirmou que “os clubes querem muito a TLG” e, mais tarde, aos jornalistas, explicou que “há um investimento muitíssimo elevado para que a TLG possa acontecer e é isso que tem inviabilizado o projecto”.

Para além da TLG, os clubes recomendaram, ainda, alterações ao regime de empréstimos dos jogadores, nomeadamente na possibilidade de permitir que um jogador não utilizado em pelo menos 10% dos jogos possa ser “resgatado” pelo clube que o cedeu. O “resgate” pressupõe, por extensão, a possibilidade de o jogador ser novamente inscrito pelo clube ou até transferido.

Pedro Proença falou, também, da necessidade de avançar com a possibilidade de ter bebidas alcoólicas nos estádios, concretizando: “Nomeadamente, cervejas de baixo teor alcoólico”.

Todas estas recomendações serão levadas à AG da Liga para que possam ser aprovadas e, eventualmente, postas em prática.

Em sentido contrário, nota para o facto de os clubes terem recusado alterações aos modelos das competições, mantendo as actuais 18 equipas e uma II Liga sem séries norte e sul. Foi ainda recusada, para já, a criação de uma “casa das transferências” que gerisse as transacções de jogadores, por os clubes recearem atrasos nos pagamentos e excesso de burocracia. Adiada foi, igualmente, a análise à possível criação de um “cartão de adepto”.

Assistência nos estádios a aumentar

O evento desta quarta-feira trouxe, ainda, as conclusões da consultora EY, que analisou dados relativos às competições organizadas pela Liga em 2017/18 – I e II ligas, bem como a Taça da Liga.

A I Liga teve um aumento da assistência nos estádios – média de 12 mil adeptos por jogo –​ e os recintos desportivos tiveram uma percentagem de ocupação de 59%. O Benfica, com 53 mil pessoas, o Sporting, com 44 mil, e o FC Porto, com 43 mil, foram os clubes com melhores médias de assistência.

Importante é, também, o preço dos bilhetes que, curiosamente, não atingem o seu máximo nos três grandes. O Vitória de Setúbal foi o clube que praticou preços mais altos, chegando aos 65 euros, seguido do FC Porto, com 61 euros, do Sporting, com 58 euros, e do Benfica, com 56 euros. O FC Porto foi o clube que permitiu aos adeptos verem futebol gastando menos dinheiro, vendendo bilhetes a 10 euros.

Ainda acerca dos jogos, nota para o facto de os encontros com maior assistência média serem os que começam após as 21h, um valor que poderá estar enviesado pela frequência com que os três grandes jogam neste horário.

Em matéria financeira, destaque para a diminuição do número de clubes da I Liga com resultados positivos nas suas contas anuais. Em 2017/18 apenas sete dos 18 clubes apresentaram resultados positivos, uma redução considerável face aos 15 da temporada anterior.

Numa análise geral a todo o futebol profissional, as jornadas anuais da Liga apresentaram a redução da contribuição do futebol para o PIB nacional. Os 396 milhões de euros de contribuição foram uma redução de 12,8% relativamente à temporada anterior, um valor que, para a EY, se explica pelo menor volume de transferências de jogadores, que desceu de 167 para 80 milhões de euros.