CDS quer tornar Lisboa numa “Cidade do Mar”

Proposta dos centristas pretende requalificar a zona envolvente à Doca de Pedrouços para ali criar um pólo empresarial, científico e tecnológico ligado ao mar, que permita a instalação de empresas, organizações e associações, nacionais e internacionais.

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Nuno Ferreira Santos

A ideia já constava no programa com que Assunção Cristas se candidatou à câmara de Lisboa: "criar uma 'Cidade do Mar', juntando conhecimento e empresas no mesmo espaço de forma a potenciar o desenvolvimento do cluster da Economia Azul". 

Agora como força da oposição, os vereadores centristas entendem que este é o momento de "lançar o desafio ao presidente da câmara de Lisboa e à sua maioria": criar um pólo empresarial, científico e tecnológico ligado ao mar, num espaço onde empresas, organizações e associações — nacionais e internacionais —, e as universidades, se pudessem instalar e produzir investigação científica, quer nas áreas tradicionais da economia do mar, quer nas novas áreas como a biotecnologia marinha, explicou a vereadora Assunção Cristas ao PÚBLICO. 

Os centristas querem mesmo passar esta ideia à prática e vão apresentar uma proposta ao executivo. Esta terça-feira, às 10h, na Doca de Pedrouços, serão dados a conhecer os detalhes da proposta.

Para a vereadora, a antiga doca comercial de Pedrouços, no limite ocidental da cidade, será o local indicado para acolher este pólo. A doca é hoje um equipamento que “está subaproveitado”, sendo apenas utilizado para receber pontualmente eventos desportivos náuticos, como a Volvo Ocean Race. “A sua zona envolvente tem cerca de 125 mil metros quadrados com edifícios que estão devolutos e que podem ser requalificados, como os edifícios da antiga Lota Docapesca”, notou Assunção Cristas, admitindo que “há forma de criar ali uma nova centralidade da cidade de Lisboa”. 

“Nós entendemos que se há área em que Portugal e Lisboa se podem diferenciar a nível nacional e internacional é a área da economia azul, do mar”, considerou. 

Segundo dados da autarquia de 2014, citados pelos vereadores, as empresas ligadas ao mar representam 5% do número total de empresas instaladas na região de Lisboa, sendo que estas correspondem a quase 30% do sector do mar a nível nacional. “Há aqui uma oportunidade criada pelo espaço em si, mas também por aquilo que são desafios inscritos na estratégia nacional do mar”, sublinha Assunção Cristas. 

Para a centrista, é hora de tornar Lisboa um exemplo de "liderança no desenvolvimento da economia do mar, da inovação, da tecnologia relacionada com o mar”. E que esta aposta deve também servir para “diversificar a economia da cidade de Lisboa que está muito assente, por exemplo, no turismo”, nota. 

Este é também o momento, diz Assunção Cristas, para Portugal aproveitar “a dinâmica europeia” — como o Brexit — e colocar-se como uma “voz cada vez mais activa no desenvolvimento económico sustentável na área do mar”, pondo este tema na agenda de Bruxelas. 

O CDS já fez aprovar uma proposta que visa a preparação de uma candidatura do estuário do Tejo a Património Mundial da UNESCO.

A vereadora nota ainda que há já várias empresas a desenvolver trabalho de investigação científica focada no mar, integradas, por exemplo, em associações como a Mare Startup e a Rede Mar.

A proposta já deu entrada nos serviços municipais para que seja agendada a sua discussão em reunião de câmara. A proposta dos vereadores centristas prevê ainda que, dada a proximidade da Doca de Pedrouços a Oeiras, sejam feitos contactos com a autarquia gerida por Isaltino Morais, com a Administração do Porto de Lisboa e com o Ministério do Mar.