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Tailored Tile: dar forma ao plástico desperdiçado, para o colar nas paredes

Feitos a partir de plástico recuperado, os tilegrams querem impor-se como "material de revestimento ecológico". Parecem azulejos, colam-se à parede com fita adesiva e podem ser transformados várias vezes, através de um processo de trituração e injecção.

O plástico desperdiçado da Marinha Grande tem, desde Dezembro de 2018, uma segunda oportunidade: ganha forma, cor e design e é transformado numa peça de decoração graças à Tailored Tile. Criada por Ana Rita Rodrigues, arquitecta de 26 anos, e Bruno Campos, químico industrial de 36, a marca propõe peças de revestimento decorativo que parecem azulejos, mas, em vez de cerâmica, são completamente feitas de plástico recuperado.

A ideia surgiu quando Ana Rita Rodrigues decidiu que não queria apresentar uma tese de mestrado “teórica” — pelo contrário, queria desenvolver um produto que lhe garantisse um posto de trabalho quando saísse da universidade. A “paixão” por azulejos levou-a a visitar fábricas de cerâmica na Marinha Grande — cidade com tradição de indústria vidreira — e foi assim que percebeu que “[as fábricas] conseguiam reaproveitar muito das peças que partiam”, havendo um "ciclo de renovação da matéria-prima". A arquitecta quis aplicar o mesmo sistema, mas com "plástico 100% recuperado", uma vez que estava "inserida numa zona onde havia muito desperdício de plástico": nos últimos 50 anos, a cidade começou a virar-se para a indústria de moldes para plásticos, tendo, actualmente, centenas de empresas dedicadas ao fabrico de moldes e produção de plásticos.

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Com a ajuda de um prémio de 5000 euros, conseguidos num programa de aceleração Spin+ — promovido pela Rede de Incubadoras de Empresas da Região Centro (RIERC) —, os dois jovens investiram na criação do molde do tilegram (nome dado a cada um dos blocos) e começaram a produzir. A matéria-prima é comprada a “empresas especializadas em triturar plástico” na Marinha Grande — onde a Tailored Tile está incubada — e é depois misturada com corante, num processo de injecção. “O plástico reciclado tem comportamentos diferentes do plástico normal”, por isso “a mistura [do plástico reciclado com o corante] acaba por criar padrões únicos”.

O resultado final é um bloco semelhante a um azulejo, que pode ser colado através de fita bi-adesiva, “permitindo a fácil renovação dos espaços sem danificar as paredes”. Uma vez que pode ser triturado e moldado mais do que uma vez, a empresa aceita tilegrams usados, trocando-os por descontos na compra seguinte — o objectivo é promover a economia circular.

Disponível em packs de oito peças (que custam 20 euros), os tilegrams estão à venda no site da empresa, em várias cores e com diferentes padrões ou imagens — alguns são desenhados à mão pela arquitecta numa película que é injectada no azulejo quando ele está a ser produzido, ficando, por isso, gravado “para sempre”. As peças podem também ser encontradas nas lojas Querido Mudei a Casa, em Leiria, e na Cru, no Porto.

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A empresa quer começar a comercializar os tilegrams ao metro quadrado e com uma forma diferente, mas para isso precisa de um “investidor externo”, uma vez que não tem capacidade para “suportar um novo molde que permita produzir em larga escala”. E têm ideias de novos produtos: uma “peça-vaso”, com o mesmo sistema de aplicação na parede, mas preparada para receber plantação de “pequenos ingredientes”, como ervas aromáticas. “Queremos ser levados a sério como material de revestimento ecológico”, remata Ana Rita.