Directora de site de notícias crítico do Presidente Duterte foi detida

Maria Ressa, directora do site filipino Rappler, foi presa em plena redacção e denuncia uma perseguição movida por Duterte.

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Maria Ressa foi detida quando se encontrava na redacção do Rappler FRANCIS R. MALASIG / EPA

A directora de um dos mais importantes sites de notícias das Filipinas foi detida esta quarta-feira. Maria Ressa é acusada de “ciber-difamação”, mas a convicção dos jornalistas que trabalham com ela é de que se trata de uma perseguição movida pelo Presidente Rodrigo Duterte contra uma das suas principais críticas.

Ressa estava na redacção do Rappler, um site de notícias em língua inglesa, quando um grupo de agentes do Gabinete Nacional de Investigação (NBI) entrou no edifício para a deter. O momento foi filmado e transmitido em directo por vários dos jornalistas presentes, embora os agentes os tenham tentado impedir.

Os jornalistas do Rappler tentaram de imediato contactar um juiz que pudesse permitir o pagamento de uma fiança para que Ressa não passasse a noite presa. No entanto, a detenção ocorreu ao fim da tarde quando a generalidade dos serviços públicos já estava encerrada. Um dos juízes contactado recusou emitir uma autorização para libertar a jornalista sob fiança.

Há muito tempo que Ressa era um incómodo para Duterte. No final do ano passado, a director do Rappler tinha sido acusada de evasão fiscal, o que a jornalista considerou “ridículo”.

Ao abrigo de uma lei sobre a “ciber-difamação”, ​Ressa foi agora detida devido a um artigo publicado há sete anos sobre as ligações entre um empresário e um antigo juiz do Supremo Tribunal das Filipinas. Porém, a lei entrou em vigor quatro meses depois da publicação da notícia. Uma primeira investigação aberta em 2017 foi encerrada pouco depois, mas o caso foi reaberto em Março do ano passado pelo NBI, uma agência directamente dependente do Departamento de Justiça.

O Sindicato Nacional de Jornalistas das Filipinas considerou a detenção de Ressa “um acto desavergonhado de perseguição por um Governo ameaçador”. “Este Governo, dirigido por um homem que se tem mostrado avesso à crítica e à diferença de opiniões, mostra agora que está disposto a chegar a níveis ridículos para silenciar à força um jornalismo crítico e esmagar a expressão e o pensamento livres”, acrescentou o sindicato.

O Rappler tem sido um dos poucos órgãos de comunicação social nas Filipinas que tem adoptado uma postura crítica face ao Governo de Duterte, sobretudo em relação à “guerra” contra as drogas lançada pelo Presidente e que já deixou milhares de mortos. O site tem divulgado investigações sobre a acção da polícia e das milícias apoiadas por Duterte que são acusadas de execuções extra-judiciais de pequenos consumidores e traficantes de droga.

Ressa foi uma das jornalistas escolhidas pela revista Time como Personalidade do Ano pela “divulgação destemida da máquina de propaganda do Presidente Rodrigo Duterte e das execuções extra-judiciais”.

Duterte negou sempre qualquer tentativa para afastar os seus críticos e desvalorizou o papel do Rappler, que chama de “fabricante de notícias falsas”.

A ofensiva contra o tráfico de drogas é um dos pontos mais controversos da governação de Duterte, mas o Presidente continua a defender a necessidade de uma política impiedosa e tem tentado silenciar os seus principais opositores. Em 2017, a senadora Leila de Lima, que chefiava uma comissão de inquérito à acção policial na luta contra as drogas, foi detida, alegando estar a ser vítima de perseguição política.