Enfermeiros alargam greve cirúrgica a mais três centros hospitalares

Sindicato publica pré-aviso de paralisação nos centros hospitalares Lisboa Norte, Universitário de Coimbra e Setúbal. Nova greve nos blocos operatórios está suspensa em sete centros hospirtalares até dia 30.

Foto
LUSA/ANTÓNIO COTRIM

O Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) publicou um novo pré-aviso de greve, alargando uma nova greve cirúrgica a mais três centros hospitalares. Este sindicato e a Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) já têm em vigor uma paralisação que abrange sete centros hospitalares, mas que está suspensa até dia 30, data em que os dois sindicatos se reúnem novamente no Ministério da Saúde com a ministra Marta Temido e a secretária de Estado da Administração e do Emprego Público.

“Tendo em conta as balizas da palavra dada e do compromisso e para demonstrar ao poder legislativo que os enfermeiros, quando toca à defesa dos seus direitos, não estão adormecidos nem embarcam em discursos de palavras vãs, decidimos publicar um novo pré-aviso de greve, com o alargamento a mais três centros hospitalares do universo dos centros hospitalares abrangidos pela GC 2 [greve cirúrgica 2]”, diz o Sindepor, num comunicado publicado na sua página de Facebook esta sexta-feira.

O novo pré-aviso abrange os centros hospitalares Lisboa Norte, Universitário de Coimbra e Setúbal. Três unidades que tinham sido afectadas pela primeira greve cirúrgica, que se realizou entre os dias 22 de Novembro e 31 de Dezembro de 2018, e que tinham ficado de fora do primeiro pré-aviso de greve deste ano.

Para estes três centros hospitalares a paralisação terá início a 8 de Fevereiro, com fim a 28 do mesmo mês. A greve afecta todos os turnos e estão garantidos serviços mínimos, que passam pela urgência, cuidados intensivos, tratamentos e cirurgias oncológicas e hemodiálise.

“Desengane-se quem pensar que os Enfermeiros vão abrandar a pressão ou vão esmorecer na luta pelos seus direitos, há tantos anos e por diversos governos esquecidos”, afirma o sindicato, que juntamente com a ASPE, tem suspensa, até ao dia 30, uma greve nos centros hospitalares do Porto, São João, Braga, Tondela-Viseu, Gaia/Espinho, Tâmega e Sousa e Hospital Garcia de Orta.

Ronda negocial no dia 30

Na próxima quarta-feira os dois sindicatos voltam ao Ministério da Saúde, onde se reúnem com a ministra Marta Temido e a secretária de Estado da Administração e do Emprego Público Maria de Fátima Fonseca, em representação do Ministério das Finanças. No último encontro, que se realizou no dia 18, sindicatos e ministério falaram numa aproximação, mas Marta Temido voltou a salientar a existência de linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas.

O Sindepor usa agora a mesma expressão para dizer que também ele tem linhas vermelhas para balizar as suas reivindicações. Entre elas estão a contagem uniforme de pontos para reposicionamento na carreira, a não contagem da revisão salarial para os 1200 euros como progressão na carreira, salário base da carreira a começar nos 1600 euros e condições para a reforma dos enfermeiros com 57 anos de idade e 35 de trabalho.

“Estas são algumas das nossas linhas vermelhas negociais e delas não arredamos pé. Se no dia 30 de Janeiro a mesa negocial for inconclusiva e não for de encontro às nossas justas reivindicações no dia imediatamente a seguir (31/01) avançaremos para a GC2 até que o poder governamental concorde em aceder e plasmar esse acordo em decreto-lei das justas reivindicações dos enfermeiros”, afirma o Sindepor. Esta paralisação, caso avance, tem fim previsto a 28 de Fevereiro.