Dino D’Santiago e as suas intimidades musicais

Acabado de lançar há dias o terceiro videoclipe (apesar de muita comunicação social teimar em dizer que se lançam singles) de temas do álbum Mundu Nôbu de Dino D’Santiago, e logo alguém se sentiu motivado a adicioná-lo à plataforma VIDEOCLIPE.PT, mas felizmente denotando cuidado de aí introduzir o nome no campo da realização: Cláudia Batalhão. Um nome que há quase um ano faltou no respetivo campo, aquando do videoclipe dos Lavoisier, que depois aqui destacámos no P3. Apesar de, na altura, nos referirmos ao facto, não ficou esquecido, antes mantida a curiosidade de saber quem trabalhava tão bem as imagens e sua edição.

Sendo o terceiro chamariz para o recente projeto musical do Claudino, no qual procurou moldar às eletrónicas atuais os elementos da tradição africana, aquela que mais recentemente o tinha projetado no mundo, foi notório que nos dois anteriores vídeos se projetavam quer os territórios da herança afetiva (Nôs Funaná), quer os da nova paisagem efetiva (Nova Lisboa). Neste Como Seria são mais as interioridades como reflexo dessas afinidades múltiplas, e que a letra aflora. Reflexo visual e sensual da morna, do funaná, do batuque, mas em intimidade com o kizomba, o hip hop, o r&b, o kuduro. De travo doce, ameno, elegante, requintado. Daí a relevância do trabalho da direção de arte, da direção de estilo (e, mais do que nos anteriores, a evidência das marcas de roupa, a denunciar trabalho de marketing), assim como a realização entregue a uma jovem que se vem notando mais pela ilustração audiovisual — e por uma marcada identidade fotográfica — do que pela elaboração ou pelo rasgo na linguagem audiovisual. O que é importante como princípio para vincular uma boa imagem do artista no mercado mundial. Faltando agora esperar pelo vídeo que faça em imagem o reflexo tecnológico da sua exploração musical híbrida, ao mesmo tempo tradicional e moderna, jovial e melancólica, sedutora e distintiva.

Texto escrito segundo o novo Acordo Ortográfico, a pedido do autor.

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