Ano eleitoral leva Gente Que não Sabe Estar à TVI

Ricardo Araújo Pereira afirma que, se o humor político afasta as pessoas da política, a culpa é mais da política do que do humor.

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Ricardo Araújo Pereira Nuno Ferreira Monteiro
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Autor e comentador Nuno Ferreira Monteiro
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Apresentação foi no Teatro Villaret Nuno Ferreira Monteiro
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A equipa no palco Nuno Ferreira Monteiro

O ano eleitoral é uma coisa séria, mas será preciso um Alka Seltzer de comédia política para o digerir? Pode ajudar, reconheceu Sérgio Figueiredo, o director de informação da TVI na apresentação do novo suplemento humorístico de domingo à noite. Chama-se Gente Que não Sabe Estar, mas o apresentador, Ricardo Araújo Pereira, faz questão de dizer que quem não sabe estar são eles, a equipa de produção do programa – não vá alguém pensar que são os políticos…

“Gostamos da ideia de não saber estar. Como é que se sabe estar na política? Quem é que nunca ligou a televisão, viu um comentador político e adivinhou exactamente o que ele ia dizer? É porque essa pessoa sabe estar!”, justifica Ricardo Araújo Pereira, para contrapor que a sua equipa neste programa é toda “gente que não sabe estar, mesmo dentro da comédia”, uma referência crítica ao movimento contra o riso mesmo entre os humoristas.

Depois de Isto é Tudo Muito Bonito Mas... (2015), Gato Fedorento Esmiuça os Sufrágios (2009) e Diz Que É Uma Espécie de Magazine (2007), o regresso de Ricardo Araújo Pereira em ano eleitoral é já um clássico da TVI, de sucesso garantido. A aposta é tal que o estado-maior da estação de Queluz estava toda nas primeiras filas – Judite de Sousa, José Eduardo Moniz, Constança Cunha e Sá, Pedro Pinto, Joaquim Sousa Martins…

Mas, a cinco dias da estreia do programa que será semanal até ao Verão (e diário em vésperas das legislativas), o humorista confessa-se aterrorizado: “Isto é um programa sobre a actualidade e a sensação que temos é que os nossos dirigentes estão a refrear-se esta semana a fazer coisas ridículas só para a gente não ter matéria.” Qual conselho nacional do PSD, qual Conselho de Estado, qual quê…

Gente Que não Sabe Estar vai para o ar no final do Jornal das 8, por volta das 21h – “mais coisa menos coisa, depende do que os outros canais tiverem no ar”, esclarece José Diogo Quintela – e dura cerca de 25 minutos no formato que lhes apetecer. Uns dias pode ter convidados, outros reportagem, vox populi, mas não se espantem se aparecer uma vaca a tentar voar, uma jibóia “responsável por estrangulamentos polémicos” ou o vírus do Ébola para discutir se precisamos de uma epidemia em Portugal.

“O formato do programa vai afeiçoar-se à semana”, esclarece o apresentador, que para formar a equipa falou com outros dois Gato Fedorento – José Diogo Quintela e Miguel Góis -, e convidou os argumentistas-humoristas Cláudio Almeida, Manuel Cardoso, Cátia Domingues, Guilherme Fonseca, Joana Marques e o artista visual Insónias em Carvão. O programa será gravado aos domingos à tarde no Teatro Villaret, de tão boas memórias na comédia – era o teatro de Raul Solnado –, aberto à participação do público através de pré-inscrição.

Um dia antes deste anúncio, Ricardo Araújo Pereira também estreou, na Rádio Comercial, uma nova série da Mixórdia de Temáticas, a Alves Fernandes.

Mas voltemos à política: será que é mesmo preciso um digestivo após o jornal em ano eleitoral? Sérgio Figueiredo explica-se: “Nós achamos que o ano eleitoral é uma coisa séria, mas temos dúvidas de que sensibilizar, sobretudo os mais jovens, para os assuntos da política seja só através da formatação dos noticiários. Mas não respondo por eles.” “Nós também não”, responde R.A.P.

Agora a sério, o humorista lembra que nos Estados Unidos há estudos que mostram como programas como o Jon Stewart ajudam a afastar as pessoas da política, mas não concorda: “É estranho isto, mas se o humor político afasta as pessoas da política, a culpa é mais da política do que dos humoristas.” Sérgio Figueiredo quis fazer este programa para “tornar a política mais próxima do cidadão”. Confuso? Gente Que não Sabe Estar só faz uma promessa: confundi-lo ainda mais.