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Maribel López é a nova directora da ARCOLisboa

Carlos Urroz abandonará a direcção da ARCOMadrid após a edição de 2019. Até lá, partilha o cargo com a até aqui directora comercial e de programas curatoriais da feira, que em Maio já assumirá sozinha a ARCOLisboa.

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Maribel López é licenciada em História de Arte e fez carreira como galerista DR

O galerista e gestor cultural Carlos Urroz, que desde 2010 dirigia a maior feira de arte contemporânea do espaço ibérico, a ARCOMadrid, abandonará as suas funções em Março para se dedicar a "novos projectos", anunciou na terça-feira o IFEMA, o organismo responsável pelas feiras da capital espanhola. O actual director, que foi nessas funções o responsável pelo lançamento da ARCOlisboa em 2016, de que também é director, sairá do cargo no final da próxima edição da ARCO, que decorre entre 27 de Fevereiro e 3 de Março de 2019, partilhando até lá a direcção com Maribel López, directora comercial e de programas curatoriais da feira, que com ele "já vinha colaborando estreitamente desde 2011".

Urroz já não será o director da ARCOLisboa, que se realiza em Maio, esclareceu ao PÚBLICO Vanessa Nunes, da delegação do IFEMA em Portugal. "Ele vai fazer ainda a ARCOMadrid, mas assim que terminar em Março a ARCOMadrid sai do IFEMA. A Maribel é que será a directora da feira de Lisboa."

O galerista Pedro Cera, que esteve seis anos no comité de selecção onde conheceu a nova directora, lamenta a saída de Carlos Urroz, mas elogia a escolha de Maribel López: "Não gosto de ficar sem o Carlos Urroz, que fez um trabalho extraordinário para a recuperação da feira, mas a Maribel é a pessoa melhor preparada para lhe suceder. Trabalhou junto do Carlos durante todos estes anos, não encontro nada a opor, antes pelo contrário."

A decisão de avançar para uma direcção partilhada nesta fase de transição, aponta o comunicado enviado do IFEMA, facilitará "a substituição na direcção da ARCO" e sinaliza também "um apoio ao projecto desenvolvido por Urroz ao longo da última década". "Apostamos no talento interno e na excelência das pessoas que trabalham na nossa organização, reconhecendo os seus méritos e a paixão que colocam no desempenho da sua actividade", sublinha Eduardo Lopéz-Puertas, director-geral do IFEMA.

Para Carlos Urroz, a feira de 2019 fecha "um ciclo profissional e pessoal". A sua saída, afirma, decorre também da convicção de que é "muito conveniente" que as direcções das "grandes instituições" sejam periodicamente renovadas para "abrir caminho a novas abordagens e perspectivas". Ao jornal El Mundo, o ainda director da feira garantiu que a decisão agora anunciada "não tem nada a ver" com as acusações de censura de que a ARCOMadrid foi alvo na edição deste ano, quando o IFEMA pediu à Galeria Helga de Alvear para retirar do seu stand a obra Presos Politicos, de Santiago Sierra, que punha o dedo na ferida das relações de Madrid com o independentismo catalão numa altura especialmente sensível para as autoridades espanholas. 

"Depois de nove anos à frente [da feira] e de outros cinco como subdirector, no mandato de Rosina Gómez-Baeza, creio que chegou a altura de empreender novas aventuras. A ARCO superou a crise económica que tão duramente nos atingiu, e esta será uma grande edição da feira, com o Peru como país convidado", disse Urroz ao diário espanhol.

Manter e aprofundar

Nascida em 1972 em Barcelona, Maribel López é licenciada em História de Arte e fez carreira como galerista. Entre 1999 e 2007, detalha o comunicado do IFEMA, foi subdirectora da Galeria Estrany-de la Mota, em Barcelona, e entre 2007 e 2010 dirigiu a sua própria galeria em Berlim, a Maribel López Gallery; paralelamente, fundou e integrou dois colectivos de curadoria, a Creatures e The Office. Já na ARCO, foi em 2011 a primeira responsável pelo sector da feira dedicado às novas galerias, o Opening, tendo posteriormente assumido as funções que vinha desempenhando até agora. 

Citada pelo comunicado do IFEMA, a agora co-directora diz que "dirigir a ARCO representa um enorme orgulho (...) e uma grande oportunidade para continuar a trabalhar pela arte": "Estou consciente da responsabilidade e do desafio que assumo, mas tenho a segurança de contar com uma equipa humana excepcional e com o apoio de uma grande organização."

Ao El País, Maribel López adiantou que a sua prioridade é "manter as coisas que funcionam bem": "A feira está de boa saúde, mas não podemos pensar que está tudo feito; há que permanecer alerta perante as mudanças que o mercado da arte experimenta a cada novo dia".

A nova directora disse ainda ao El País que quer manter o número de galerias participantes (200 a 210) e limitar o número de artistas em cada espaço. "Demonstrou-se que é melhor aprofundar a obra de um ou dois artistas, que o público reage melhor."

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