Marco António Costa espera que Passos Coelho regresse

Deputado aponta qualidades do ex-primeiro-ministro e ex-líder do PSD para dizer que ele "faz muita falta ao país". Quanto a Rui Rio, declara que o presidente que merece "uma oportunidade, mas que também "tem de fazer pela vida".

Marco António Costa, em 2016, no 36.º Congresso do PSD, em Espinho
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Marco António Costa, em 2016, no 36.º Congresso do PSD, em Espinho ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

Marco António Costa, ex-vice-presidente do PSD na anterior direcção social-democrata, assume que foi com “muito orgulho” que foi porta-voz do partido e diz esperar que Pedro Passos Coelho regresse.

“Quero dizer que fui porta-voz dele e das suas ideias políticas com muito orgulho. Espero que ele volte. O dr. Passos Coelho é um homem que pela forma íntegra, responsável e ponderada como governou Portugal faz muita falta ao país”, afirma Marco António Costa, este sábado, numa entrevista à TSF.

Questionado sobre a motivação de Passos Coelho para regressar à liderança do partido, o deputado e antigo presidente da distrital do Porto do PSD devolve a pergunta. “Isso tem de lhe perguntar a ele. Eu fui porta-voz das ideias políticas dele. Nunca sou porta-voz da vida dos meus amigos”.

Numa das raras entrevistas que tem dado, o deputado e presidente da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional fala da liderança de Rui Rio que tem sido alvo de muita contestação interna e defende que o PSD lhe deve dar “uma oportunidade”, No entanto, não deixa de dizer que “os partidos são instituições que almejam o poder e, portanto, se em algum momento não se vence, naturalmente que haverá sempre discussão interna”.

“Acho que o dr. Rui Rio e a liderança do PSD têm de receber de todos nós uma oportunidade, mas ele também tem de fazer pela vida. Há um dever de compromisso mútuo da parte de todos aqueles que até podem não se rever na forma como o presidente do partido quer fazer a política, mas, a partir deste momento, há um dever de criar as condições para haver uma unidade estratégica", defende, observando que cabe a "quem está na direcção do partido ser o primeiro a estender a mão e criar as condições para que essa unidade estratégica exista”.

Questionado se esse compromisso não tem existido, Marco António Costa responde "estar a começar a existir.” Acredito que sim. Desejo e acredito que sim”.

Quanto aos desafios eleitorais que o partido tem pela frente em 2019, o ex-vice de Passos dispara: "O meu PSD (...) habituou-se a ir a eleições para vencer, sendo que uma coisa é perder por poucochinho outra coisa é perder por muito”. E prossegue: “Será importante para o projecto político do partido a sua presença no Parlamento Europeu. Temos eurodeputados extraordinários, vencer para termos uma voz activa na Europa é muito importante. O PSD vai lançar agora um conjunto de debates e de painéis sobre temas europeus”.

Ao ser confrontado se um eventual mau resultado nas europeias pode ou não tornar insustentável a permanência de Rio na liderança, Marco António é taxativo: “Qualquer mau resultado nas europeias ou nas legislativas afecta sempre as direcções que estão em exercício, isso é inevitável”. “O nosso partido está muito expectante em ver o nosso líder de forma crescente a afirmar uma alternativa de poder e a demarcar uma posição relativamente a este PS”, declara o social-democrata.

Sobre uma eventual candidatura sua a liderança do PSD, Marco António Costa responde: “Não lhe sei responder a isso “.“Todos os dias admito para mim uma coisa importante: que é ser feliz. Portanto, não tenho nenhuma expectativa, nem vislumbro nenhuma ambição nesse sentido, mas, em cada momento, faço aquilo que considero que faz parte do meu conceito de felicidade. Acho que o partido tem muitas pessoas competentes para poderem assumir essas responsabilidades e eu estarei sempre aqui, estando em cargos institucionais ou não”.

O ex-vice-presidente de Passos Coelho dá conta da “tristeza” que sentiu com a saída de Pedro Santana Lopes, com quem trabalhou, do PSD e afirma que ele “será sempre um social-democrata.” Santana Lopes “é uma pessoa que tem pautado a sua intervenção política pela coragem e tive pena que isto acontecesse. Não sei se ele terá sucesso ou não. Quer afirmar o seu pensamento político através de outros canais. Espero que um dia volte ao PSD, é esta a casa dele”, diz.

 Na entrevista, o presidente da Comissão Parlamentar de Defesa Nacional avalia que o Governo lidou com o caso de Tancos de uma forma "política e institucionalmente desastrosa".