Opinião

A Europa quer jovens mais solidários e Portugal já se voluntariou

Um Erasmus+ reforçado orçamentalmente, desburocratizado, acessível e com uma gestão mais autónoma e flexível será capaz de chegar a mais jovens, criar uma juventude mais ativa e envolvida em torno de uma União que se quer cada vez mais unida.

Dar uma nova centralidade à “juventude”. É este um dos mais recentes e, também, mais importantes desafios da Comissão Europeia, que, para tal, decidiu apostar num orçamento comunitário em que os jovens ganham uma relevância sem precedentes. Mas de que importância estaremos a falar? Que poder ganharão estes jovens? E que investimento estará envolvido? A Comissão pretende, em concreto, mais que duplicar a dimensão do programa Erasmus+ para que possa mobilizar 30 mil milhões de euros entre 2021 e 2027.

Esta assume-se, assim, como uma orientação que parece resultar dos processos de auscultação – realizados a beneficiários e a instituições – e de avaliação da implementação do programa que é apresentado, reiteradamente, como uma história de sucesso e de contributos positivos para uma União mais coesa.

A verdade é que a capacidade do programa Erasmus+ gerar mais oportunidades e ser mais abrangente e inclusivo encontra-se invariavelmente indissociável da existência de um financiamento adequado. Um Erasmus+ reforçado orçamentalmente, desburocratizado, acessível e com uma gestão mais autónoma e flexível será, pois, ainda mais capaz de bem cumprir a sua missão. Será capaz de chegar a mais jovens, criar uma juventude mais ativa e envolvida em torno de uma União que se quer cada vez mais unida.

A ação mais recente e concreta desta aposta europeia é a criação do “Corpo Europeu de Solidariedade”, programa que conta com um orçamento de cerca de 376 milhões de euros – para o período 2018-2020 –, que serão investidos na promoção do espírito de solidariedade dos jovens e que permitirão a realização de projetos de voluntariado em benefício de pessoas e de comunidades de toda a Europa. Mais do que isso, trata-se de uma iniciativa pioneira, que permitirá apoiar a realização de estágios e de empregos nestas áreas tão prioritárias.

E se é verdade que tanto se discute a “separação” dos jovens da Europa e o facto de as políticas europeias não lhes atribuírem, ainda, um papel principal, os números mostram que a resposta a este “Corpo Europeu de Solidariedade” não podia ser mais positiva. O desafio europeu foi lançado e a resposta portuguesa não se fez esperar.

Este mês de outubro – que marca a primeira de uma série de outras fases de candidatura ao programa, que permitirá mobilizar 100 mil jovens até o final de 2020 – ficará para sempre associado como aquele em que os jovens portugueses se posicionaram como os europeus que maior interesse têm revelado pelo programa. Portugal é, neste momento, o país com maior taxa de registos per capita no Portal do Corpo Europeu de Solidariedade.

A Europa quer jovens mais solidários e Portugal já se voluntariou. O país e os organismos competentes têm, por isso e mais do que nunca, a responsabilidade acrescida de corresponder, desde a primeira hora, a esta vontade de compromisso livre e solidário dos jovens portugueses.

O autor escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

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