Metro de Lisboa mostra os rostos que a História (quase) esqueceu

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A instalação fotográfica Photomaton, que está patente na estação de metro Cais do Sodré e, em simultâneo, no Baliza Café Bar, em Lisboa, parte da premissa de que “as pessoas normais também têm direito à História”. Os 600 retratos anónimos que compõem a exposição foram recolhidos por Bruno Parente, Rossella Nisio e Fernando Marante com o objectivo de colocar questões relacionadas com “a memória e a identidade (ou a ausência delas)”. “Quem são estas pessoas e que vida viveram?”, questionam.

“Seria engraçado se, de passagem, alguém pudesse identificar algumas destas pessoas”, refere Fernando Marante em entrevista ao P3. “Ficaríamos gratos se pudéssemos juntar uma cara a uma história real.” Os retratos foram comprados, ao longo de mais de um ano, na Feira da Ladra, em Lisboa; outros foram recolhidos por amigos dos artistas ou encontrados por eles em caixotes do lixo da capital. “Não temos forma de aferir se todos os retratos são de pessoas portuguesas, mas presumimos que sim.” O retrato mais antigo data de 1931; os mais recentes serão de finais da década de 70 ou início dos anos 80. “Tínhamos em nossa posse muito mais fotografias do que aquelas que seleccionámos. Removemos as mais actuais porque consideramos que se desviavam ao conceito-base do projecto”, que encontra raiz na corrente Found Photography.

Porquê Photomaton? “O photomaton era uma cabine fotográfica de funcionamento automático que se popularizou sobretudo nos Estados Unidos da América e que nunca teve grande expressão em Portugal”, refere Fernando. “As imagens do projecto terão sido realizadas sobretudo em estúdios fotográficos – que, por sua vez, também já se encontram em vias de extinção.”

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