Bloco de Esquerda

BE considera "perigoso" discurso de Centeno. PCP lembra "embuste"

A bloquista vê nas palavras do ministro das Finanças sobre a Grécia o mesmo "discurso moralista" da era da troika, o que pode ser perigoso na imposição do mesmo tipo de políticas.
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As palavras do presidente do Eurogrupo dirigidas à Grécia agitaram as campainhas de alarme que nos últimos tempos têm soado no Bloco de Esquerda em relação a Mário Centeno. Para a bloquista Mariana Mortágua, a porta-voz do partido para os assuntos financeiros, o que disse o ministro das Finanças em relação à saída da Grécia do programa de ajustamento é "perigoso" e revela que há uma necessidade de se analisar criticamente as políticas da União Europeia.

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"É perigoso para o futuro de Portugal e da Europa porque ter um presidente do Eurogrupo que considera que a culpa da crise é dos gregos e não das políticas europeias, é sinal que está disposto a manter [a linha de rumo] das instituições europeias e as políticas de chantagem", diz a deputada em declarações ao PÚBLICO. Ou seja, "está a validar a austeridade, as imposições e a chantagem como forma de lidar" com os países em dificuldade.

Em apenas um minuto, Mário Centeno conseguiu reavivar, para Mortágua, o discurso "moralista" que imperou nos últimos anos, quando Jeroen Dijsselbloem, o holandês que foi presidente do Eurogrupo, criticava sobretudo os povos do Sul.

"Aquilo que Centeno tem demonstrado é que entre os sacrifícios do povo grego e as imposições europeias, Centeno coloca-se do lado das imposições europeias. Quem achava que Centeno levaria [para o Eurogrupo] uma posição crítica das instituições europeias, enganou-se. Isto demonstra que não é diferente do seu antecessor. Defende as mesmas políticas do seu antecessor, mesmo que com estilos diferentes", acrescentou.

Mariana Mortágua tem sido bastante crítica da actuação do ministro das Finanças, e desta vez não falou sozinha. As críticas chegaram dentro do próprio partido do Governo. João Galamba considerou o vídeo "lamentável".

O PCP, numa resposta por escrito enviada ao PÚBLICO, prefere não falar directamente de Mário Centeno, preferindo criticar à partida os programas de ajustamento que considera "verdadeiros pactos de agressão contra Estados e povos" e que "são instrumentos da estratégia de empobrecimento, liquidação de direitos, favorecimento do poder monopolista e de ataque à soberania nacional". Nestas respostas, o PCP lembra o caso português para dizer que a saída "limpa ou não" é "um embuste". "As limitações à soberania que decorrem da 'vigilância' a que se mantém submetido pelo FMI e a UE, e sobretudo a submissão às imposições orçamentais que impedem o desenvolvimento do país, e a resposta aos problemas nacionais comprovam-no."