Torne-se perito

Marcha LGBTI+ marcada por críticas a Marcelo

As ruas de Lisboa cobriram-se novamente com as cores do arco-íris, mas também com palavras de protesto contra o veto presidencial à lei da mudança de género.

Protesto
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Parada do orgulho
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Parada do orgulho, LGBT
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Milhares de pessoas marcharam neste sábado, em Lisboa, pela auto-determinação dos gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgénero, apontando críticas ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo veto da lei da mudança de género.

A 19.ª Marcha do Orgulho LGBTI+ de Lisboa, organizada por várias associações, iniciou-se durante a tarde no Príncipe Real e terminou ao início da noite na Ribeira das Naus. Durante o desfile foram muitos os participantes a envergarem nas mãos ou nas costas bandeiras e faixas arco-íris, símbolo do movimento LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgénero e Intersexuais).

Pequenos cartazes exibiam palavras de ordem como "Um veto à discriminação", numa referência ao chumbo presidencial da lei de mudança de género, e "Escola sem homofobia".

Ao som de Madonna ou dos ABBA, houve quem dançasse em cima de um camião ou autocarro turístico decorados para a ocasião.

Entre os manifestantes estava Vasco Carvalho, 55 anos, que teve de enfrentar "o preconceito" da sociedade depois de assumir a sua homossexualidade, em 1982. Todos os anos vai à marcha para "lutar pelos direitos", como o da "não discriminação no trabalho e na saúde". Mais à frente, Geanine Escobar, activista, realçou a luta, a sua, contra três estigmas: ser negra, imigrante e lésbica.

A marcha acabou em frente ao Tejo com a intervenção de membros das associações promotoras, incluindo a ILGA-Portugal e a Rede Ex Aequo, que lançaram farpas a Marcelo Rebelo de Sousa pelo veto, em Maio, da lei que permitia a mudança de género aos 16 anos.

O chefe de Estado pediu na altura ao Parlamento para que ponderasse "a inclusão de relatório médico prévio à decisão sobre a identidade de género antes dos 18 anos". "O veto não faz o nosso género", ironizou, a partir de um palco montado para o evento, Joana Cadete Pires, membro da direção da ILGA-Portugal. "Queremos acabar com os nossos armários... na escola, no trabalho, na saúde, no desporto", exortou. 

Ao Presidente da República, activistas pediram "menos selfies e mais respostas".

No final, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, quis manifestar o seu apoio ao "grito contra a invisibilidade e a desinformação, que leva ao preconceito", embora reconhecendo que "há tanto para fazer para lá da lei".

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