Mulheres portuguesas

A estranhíssima verdade é que, pela primeira vez desde a primeira centelha do universo, Portugal teve a melhor canção da Eurovisão dois anos seguidos.

Portugal em último na Eurovisão? Foi restabelecida a normalidade. Se tivéssemos ficado em boa posição diriam sempre que era por jogarmos em casa e termos o público a torcer por nós. Mas a verdade é que jogámos mesmo em casa e tivemos mesmo o público a torcer por nós – e mesmo assim ficámos em último. É obra.

Mas não foi nada assim. A vitória de Salvador Sobral mudou tudo. Graças a ele podemos suspirar "ai, vida madrasta, porque é que és tão extremista? Um ano ficamos em primeiro, no outro ficamos em último... porque é que não podemos ser ouvidos com moderação?"

A estranhíssima verdade é que, pela primeira vez desde a primeira centelha do universo, Portugal teve a melhor canção da Eurovisão dois anos seguidos. Para não dizer (porque reconheço que a minha opinião é suspeita) que na Eurovisão deste ano e do ano passado as canções portuguesas foram as únicas que se conseguiam ouvir com prazer.

Em 2017 foi Amar Pelos Dois de Luísa Sobral. Em 2018 foi O Jardim de Isaura. Em 2017 a melhor interpretação foi a de Salvador Sobral. Em 2018 foi a de Cláudia Pascoal e Isaura. São três mulheres e um homem – e as duas compositoras são mulheres. Mulheres portuguesas. É um orgulho altamente repetível, este de ver Portugal bem representado na Eurovisão.

Se tivesse sido só Salvador Sobral dir-se-ia que foi uma vez sem exemplo. Mas Cláudia Pascoal e Isaura cantaram lindamente uma canção já de si linda que também tinha a virtude de nos seduzir logo na primeira audição. Parabéns! E obrigado!