Roterdão, a cidade que cresce para todos os lados

Aterrámos. Debruçámo-nos sobre Delft. Caminhámos na areia de Haia. E descobrimos Roterdão. Uma semana sabe a pouco — porque há muito.

Amesterdão já era. Ou pelo menos Roterdão, que sempre esteve atrás da capital, é que é. As pessoas estão a descobrir que existe outra cidade — e que na verdade esse é que é o hub a explorar, vibrante, fervilhante e corajoso, o núcleo onde se semeia arquitectura, onde brotam árvores flutuantes, camadas em cima de camadas e projectos orgulhosamente locais.

Estamos no país com o segundo hino mais antigo do mundo, estamos na Holanda dos milhões de bicicletas e dos muitos nomes para a palavra "canal". Estamos numa cidade que é um universo — onde vivem pessoas provenientes de 176 países. E isso tem que fazer toda a diferença. Aterrámos. Debruçámo-nos sobre Delft. Caminhámos na areia de Haia. E descobrimos Roterdão. Uma semana sabe a pouco — porque há muito

Delft

Os 376 degraus da torre não estavam nos planos. Nem a escada em caracol — talhada ora em madeira ora em pedra —, nem a vista panorâmica que conquistamos a 85 metros de altura, num varandim da torre da Igreja Nova de Delft de onde, num dia de céu limpo podemos ver o mar de Haia e Roterdão. A torre, com uma altura total de quase 109 metros e sem elevador, é um teste à condição física dos visitantes, mas merece, sem dúvida, o sacrifício.

Lá no alto, com vista de 360 graus, está um tranquilo resumo da cidade histórica feita de ilhas e de canais (dizem que são 11 ilhas entrelaçadas por 88 pontes), com traços evidentes do Século de Ouro (o XVII), telhados alaranjados e cinzentos sobre edifícios de tijolo escuro com molduras brancas, e um relaxado ritmo do dia a dia que parece fazer-se entre um passeio de bicicleta e um terraço.

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Durante esta meia hora bem medida, em que nos encolhemos para ceder passagens mais ou menos apertadas a turistas como nós, a nossa atenção está presa na paisagem como se admirássemos um quadro de Vermeer na terra de Vermeer, uma Vista de Delft — considerada como uma das mais fenomenais paisagens urbanas na história da pintura europeia, o quadro, topograficamente exacto, mostra nuvens densas, torres octogonais e uma dupla ponte levadiça sobre o rio que flui calmamente, uma cidade silenciosa e majestosamente iluminada pelo sol da tarde — das muitas vistas de Delft que mereciam ser pintadas.

Foi a partir do topo desta torre, a nossa torre, a segunda mais alta da Holanda, que os cientistas Simon Stevin e Jan Cornets de Groot testaram a teoria da gravidade, deixando cair duas bolas de chumbo — uma delas dez vezes mais pesada que a outra — e provando que os objectos do mesmo tamanho caem à mesma velocidade. E esta é apenas uma das muitas histórias que vivem entranhadas na cidade e na torre concluída a 6 de Setembro de 1946, cem anos após o início da construção da igreja. Nesse dia foi colocada no cocuruto uma enorme "maçã", simbolizando a eternidade de uma torre que foi tudo menos eterna. Ardeu, como quase toda a cidade, em 1536, tendo sido atingida por um raio no final do século XIX. Hoje o topo enegrecido dá a impressão de dano por fogo. Pura ilusão. A chuva ácida fez com que o topo escurecesse.

Frente a frente, como num duelo, a Igreja Nova olha ainda para a Igreja Velha (fundada em 1246), dona de uma torre de tijolo com 75 metros e uma inclinação de cerca de dois metros (mais do que a da italiana Torre de Pisa) bem perceptível quando alinhada com o canal mais próximo, ao longo do qual hoje é montada duas vezes por semana uma feira de velharias com mais de mais de 120 bancas — a propósito: "delft" vem de "delven", antiga palavra para designar a escavação de canais. A torre foi estabilizada, mas, à cautela e por causa das vibrações, o sino monstruoso de nove toneladas que lá vive soa apenas em ocasiões muitíssimo especiais (como o enterro de um membro da família real na vizinha Igreja Nova).

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Uma montra no coração de Delft Luís Octávio Costa

A tradição de enterrar os membros da família real em Delft começou precisamente com Guilherme, Príncipe de Orange, alemão e grande impulsionador do movimento de independência dos Países Baixos no século XVI que foi assassinado à queima-roupa a 10 de Julho de 1574, em Delft, por Balthasar Gerards, um católico francês e adepto fervoroso de Filipe II de Espanha (ficou alojado numa estalagem, que hoje é a padaria De Diamanten Ring). Actualmente, são 46 os corpos enterrados nas catacumbas da Igreja Nova, que, tal como na Velha, exibe uma imprescindível galeria de arte em mármore preta sob os nossos pés (alto relevo com epitáfios, caveiras, anjos...) e outra elegantemente pintada nos enormes vitrais (como cenas alinhadas numa banda desenhada). Por si só, o mausoléu de Príncipe de Orange (com peças de ouro, bronze, mármore preta e mármore branca italiana; quatro figuras femininas em bronze que simbolizam os valores pelos quais Guilherme lutou: liberdade, justiça, religião e coragem; e, deitado a seus pés, o cão, que morreu pouco depois do seu dono), desenhado pelo escultor Hendrick de Keyser, destacado e protegido pela UNESCO, vale a visita a Delft.

Mas nem só de pedras e de metais preciosos e de histórias de piratas e heróis vive Delft, que dá nome a um estilo de cerâmica azul e branco, durante 400 anos um dos mais icónicos produtos holandeses. O Delftware ou Delft Blue deve a sua existência à porcelana chinesa da mesma cor que no início do século XVII inundou o país. Sem acesso à caulinita, um mineral utilizado no fabrico da porcelana, os produtores locais começaram a produzir cópias mais baratas, criando um estilo que ainda é fonte de inspiração para designers contemporâneos e outros criadores. À volta do mercado, e em muitas das vielas de Delft, predomina o azul e branco desta loiça — em muito semelhante à loiça de Viana do Castelo: no revestimento de postes de electricidade, em bancos de jardim e principalmente nas montras das lojas de recordações.

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Pelo que se sabe, Johannes Vermeer (1632-1675) muito poucas vezes saiu da sua cidade natal. A sua obra não é vasta — deixou apenas 34 quadros reconhecidos oficialmente como seus — e nenhum deles está em Delft, onde em praticamente todas as ruas existem referências ao pintor e à sua Rapariga com Brinco de Pérola, uma espécie de Mona Lisa holandesa (e que está numa parede do Mauritshuis, em Haia; já lá iremos). Delft disfarça, exibindo um centro de interpretação com o nome do autor interessante para uma introdução a Vermeer, à sua paleta de cores (ao lapis lazuli proveniente do Afeganistão) e à forma cuidadosa como "iluminou" as suas obras. Entre elas A Ruela, com casas simples de tijolos envelhecidos, madeiras e alvenaria muito usados, duas senhoras nas suas tarefas e duas crianças a brincar numa rua calma de Delft que muitos já tentaram colocar no mapa. O mais provável é que seja Voldersgracht, onde Vermeer nasceu. Mas uma versão mais romântica sugere que esta pintura seja um conjunto das ruelas da sua cidade e dos seus passeios ao longo dos canais, sugere que não seja real, mas uma cena imaginada por ele.

Haia

Segundo uma lenda urbana, a posição do cavalo numa estátua revela a causa de morte do seu cavaleiro. Se tiver a pata direita no ar, foi assassinado. Se for a esquerda, foi morte natural. As quatro patas pousadas no chão significa acidente. As duas patas da frente erguidas identifica um herói morto em combate. E se as quatro patas estiverem no ar... alguém está pedrado.

Quando passearem em Haia imaginem que o fazem na companhia de um Remco Dorr — nosso anfitrião nesta visita guiada em velocidade "fast forward", mas com pausas nas melhores cenas —, um dandi com obsessão pela classe e um dissidente do vulgar, um cavalheiro de humor sagaz, um par de Hopjes (rebuçados de café e caramelo originais do século XVIII) no bolso e a justificação para o arranhar do neerlandês na ponta da língua. "É do arenque! Para falar precisamos deste sushi holandês. Aqui come-se mergulhado em cebola".

Haia, ou Den Haag, é a terceira mais populosa cidade holandesa e percebe-se bem a diferença de volume de tudo para os vizinhos Amesterdão e Roterdão (lá chegaremos). E, apesar de nunca ter sido capital, é na prática a sede do governo do país, do Eerste Kamer (Primeira Câmara) e do Tweede Kamer (Segunda Câmara) que formam o Staten Generaal (os Estados Gerais). Todas as embaixadas e ministérios estão na cidade, onde não raras vezes se "tropeça" num membro da família real ou no próprio rei Guilherme Alexandre, que ali vive e trabalha desde 2013. "Sabemos sempre se o rei está no palácio quando a bandeira está hasteada. Este código também era muito útil para sabermos quantos cigarros fumava a rainha Beatriz", brinca o nosso guia, especado ao lado da estátua de Guilherme I de Orange, o Taciturno, montado no seu cavalo, pata direita no ar, virado para o palácio onde nunca morou. "Aqui não há troca de guarda. Somos protestantes... Nada "demasiado", por favor".

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Haia está cheio de lendas urbanas Luís Octávio Costa

Estamos em plena Noordeinde, uma das poucas ruas alinhadas de uma cidade com poucas linhas rectas, construída sobre dunas de areia — basta ver um buraco de obras para se perceber que é mesmo areia, areia — e que fica a escassos dez quilómetros da costa, da praia de Scheveningen, do seu pontão comercial, da Roda Gigante e de uma enorme variedade de bares e de restaurantes de peixe. Noordeinde é a principal artéria para quem quiser sentir a mistura fina do lado chique das boutiques, das lojas de antiguidades e dos alfarrabistas (não percam o número 158, folheiem mesmo que não leiam neerlandês) e das fachadas Art Deco (meninos nus, bicicletas e "gárgulas" de capacete de bicicleta no número 12; caracóis no número 30; e por aí fora) com os projectos criativos da cidade, as galerias de arte e os espaços de fusão (como o Bookstore Café ou o Lola Bikes & Cofee; Aviso em jeito de ameaça: "Não usem capacete. Saberemos que são turistas. E não teremos misericórdia"). Cusquice do número 66: aqui viveram "em pecado" Guilherme Alexandre e Máxima. "O povo não quer que a família real se leve nem muito a sério nem muito a brincar", sublinha Remco, meio a sério, meio a brincar.

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Estamos em Haia — estamos na praia Luís Octávio Costa

Siga em direcção à oponente Maison de Bonneterie (agora uma H&M), espreite o Haagsche Bluf (e tente provar essa receita "enganadora" de claras em castelo, açúcar e xarope de bagas) e atravesse a "De Passage", monumento UNESCO cuja história começa em 1885. Ao fundo, e atrás do lago, já se vislumbra a linha de arranha-céus, a segunda maior da Holanda (Roterdão é imbatível neste campeonato nas alturas), uma espécie de Manhattan, o novo centro da cidade. Antes de 2003, quando o Hoftoren (projecto do gabinete de Kohn Pedersen Fox com 142 metros) foi concluído, a cidade só tinha alguns prédios com cerca de 20 andares. Em 2007, juntou-se o impressionante Het Strijkijzer (132 metros), tendo sido colocadas mais peças do puzzle nos anos que se seguiram.

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A lição de anatomia do Dr. Tulp Luís Octávio Costa

Mauritshuis. Pausa prolongada. Este é um dos primeiros e mais belos e puros exemplares de arquitetura classicista nos Países Baixos — o edifício foi mandado construir por ordem do conde João Maurício de Nassau no período em que estava no Brasil — e possui um importante acervo de arte representativa do Século de Ouro, uma colecção de quadros que parecem ter sido feitos para repousarem especificamente nos ricos salões onde se exibem. São muitos os quadros (compreende actualmente aproximadamente 800 trabalhos de pintura). Dedicámos algum tempo aos detalhes da obra conjunta de Peter Paul Rubens e Jan Brueghel The Garden of Eden with the Fall of ManAuto-retrato e A lição de anatomia do Dr. Tulp, ambos de Rembrandt (a maior colecção do pintor holandês está em Haia), O Touro, de Paulus Potter (moscas quase reais e uma colina que não existe na Holanda) e, inevitavelmente, Rapariga com Brinco de Pérola, de Jan Vermeer (em Haia há três obras de Vermeer), que absorve o maior número de disparos dos smartphones — e apesar de supostamente não ser um retrato e de o brinco não ser uma pérola. Antes de saírem não se esqueçam de olhar para cima. Lá estará Icarus Atlanticus: Allegory of the Working Man, uma versão moderna do voo de Ícaro, calças de ganga, sapatilhas e óculos, pintado em 1987 por Ger Lataster.

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O exterior do Gemeentemuseum Luís Octávio Costa

A uma viagem de eléctrico de distância descobrimos a maior colecção do mundo de Piet Mondrian alojada no Gemeentemuseum (merecida pausa), por si só uma obra prima, encomendado ao arquitecto Hendrik Petrus Berlage como "um moderno templo cultural para as pessoas comuns". O museu abriu a 29 de Maio de 1935, foi ocupado pelos alemães durante a Segunda Guerra e reabriu ao público em 1946 na forma que ainda hoje é possível visitar, através de um túnel de vidro e de dois lagos artificiais que, aos poucos, deixa para trás o movimento da rua, apresentando a tranquilidade e a contemplação. Berlage teve cuidado com todos os pormenores — garantindo por exemplo que não houvesse uma rota clara através do museu, para que os visitantes se perdessem na arte em exibição. Também a simetria, as proporções e o ritmo foram muito importantes para o arquitecto, que criou um novo tipo de tijolo (22 x 11 x 5,5 cm) especialmente para o Gemeentemuseum, "tecendo" o conjunto num exterior austero e em interiores com luxuosos elementos decorativos (latão bronzeado, cerâmica e mármore) e mobiliário singular.

Ainda há Escher Até à Eternidade espalhado pelo Palácio de Inverno da rainha Emma (não deixem de descer à antiga cozinha; basta seguir o cheiro de bolos acabados de fazer) e os lustres excêntricos do artista Hans van Bentem, a presença de Mata Hari no quarteirão (chá no Hotel dês Indes?) e tempo para empurrar algumas portas — com sorte dará acesso a uma das largas dezenas de pequenas "vilas" secretas com jardins e hortas aprumados que apenas aceitam mulheres para lá de cinquentonas; menino não entra.

Roterdão

Uma cidade vibrante, três zonas desligadas entre si e uma ponte pedestre de madeira com 390 metros financiada através de uma campanha de "crowdfunding". Por cada 25 euros doados, o "mecenas" ganhou o direito a assinar a sua tábua amarela — oito mil apoiaram a iniciativa e ainda é possível contribuir através do site do projecto —, estimulando a aproximação e o desenvolvimento de uma área negligenciada e pouco participativa na vida da cidade. Bem-vindos a Roterdão, a cidade que gosta de crescer para todos os lados e que não parece conhecer os seus limites nessa acção quase polinizadora de multiplicar galerias dentro e fora de portas, de abrir restaurantes e bares em sítios impensáveis, de cultivar hortas no topo de edifícios, de inventar (quintas flutuantes?) e de tornar reais projectos fora da caixa financiados pelos próprios habitantes — como o lago artificial junto a Steigersgracht que há um ano permite surfar no centro da cidade ou passadiço de madeira amarela.

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A arquitectura vibrante de Roterdão Luís Octávio Costa

Visto do ar, o diagrama amarelo baptizado de Luchtsingel (algo como ponte aérea) é uma espécie de sinédoque de Roterdão, a parte pelo todo que é uma cidade mutável, um centro urbano industrial e criativo que se vai adaptando não apenas por necessidade mas também por sofrer do vício de juntar peças às peças já existentes.
Está entranhado. E é essa hiper-actividade, essa crescente mistura eclética que tornou tão famosa uma cidade "melting pot" onde vivem em harmonia 633 mil pessoas provenientes de 176 países, onde se consegue acordar com desejo de um qualquer prato de comida do mundo e prová-lo pouco depois e sem sair dos limites da cidade, onde um simples folheto informativo "Roterdão, Cidade da Arquitectura" (disponível num posto de Turismo perto de si) bastaria para nos guiar através de uma cidade que, para o bem e para o mal, parece a Disneylândia da Arquitectura.

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Op Het Dak: gastronomia, criatividade e sustentabilidade Luís Octávio Costa

Há quem diga que Roterdão, que continua a roubar espaço aos carros e a entregá-lo à bicicleta, a melhor amiga de um holandês, é a cidade do futuro — e, já agora, que Amesterdão é a cidade do passado. É verdade que edifícios de referência e construções experimentais estão a transformar a segunda cidade da Holanda num destino de classe mundial para inovação arquitectónica, superando outros centros europeus graças a edifícios como o colossal Markthal (o maior mercado coberto do país), a cidade vertical desenhada por Rem Koolhaas para a margem sul ou a Estação Central (ali transitam 110 mil passageiros por dia, tantos quanto passageiros no aeroporto de Amesterdão; a estação é servida por um estacionamento gratuito para mais de 5 mil bicicletas fazendo deste parque o maior do país). E que os seus responsáveis tudo têm feito para estabelecerem Roterdão como um centro de novas tecnologias de construção, lar de estúdios que experimentam arquitectura flutuante (entrar no Pavilhão Flutuante é como espreitar o futuro; à sua volta, "pousadas" na água, há inclusive árvores flutuantes), construção robótica, energia eólica, inovação de iluminação e impressão 3D.

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As casas cubo de Piet Blom Luís Octávio Costa

No limite, os nossos problemas em Roterdão, cidade reduzida a cinzas a 10 de Maio de 1940 por acção do exército alemão e que actualmente vive sob o lema "Make it Happen" ("faça acontecer"), são por excesso de informação — ou, melhor dizendo, por escassez de tempo. Da arquitectura gótica às casas em forma de cubo no Blaak (podemos visitar uma das casas de Piet Blom; há outras em regime de Airbnb), dos arranha-céus que moldam a paisagem da península Kop van Zuid à da Ponte Erasmus — e a todas as "pontes" construídas para expandir e desenvolver aquela que, à semelhança do Porto, também soube aproveitar a boleia da Capital Europeia da Cultura em 2001. A dinâmica de Roterdão está à vista de todos e nas margens do Rio Mosa com palpáveis características cosmopolitas. Os barcos e batelões que por aqui circulam chegam de todos os portos do mundo e têm vista privilegiada para edifícios com assinatura.

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Kunsthal, o museu que não é um museu Luís Octávio Costa

Difícil é estar aqui e decidir que direcção seguir. O "centro" parece deslocar-se. Os projectos brotam (como o oásis Op Het Dak que cultiva, colhe e cozinha pratos criativos no topo de um prédio que já esteve em estado comatoso), aliam-se para serem mais fortes (uma visita à Groos, literalmente "orgulho", é indispensável para entender o modus operandi dos criadores locais), reinventam-se (o Aloha Bar já foi um complexo de piscinas "tropicais"? Hoje mistura pratos biológicos, cogumelos produzidos em borra de café e... noites "silent disco" com três DJs em simultâneo em que cada pessoa sintoniza a sua festa). Explore. Não deixe de ir ao Kunsthal (o enésimo projecto de Rem Koolhaas), o museu que não é um museu. Ainda não entendeu bem como funciona Roterdão? Encontre o Fenix Food Factory (uma pista: Katendrecht) e encontrará a resposta (ou pelo menos Stroop, o melhor waffle com sal marinho, limão, lavanda ou pimenta preta). Seja criativo e corajoso.

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A gastronomia num prato servido no Aloha Bar Luís Octávio Costa

A Fugas viajou a convite da Transavia e dos turismos de Deft, Haia e Roterdão