Estudo mostra que local utilizado para testes nucleares não é seguro

As instalações nucleares de Pyunggye-ri, no Norte do país, não oferecem condições de segurança para a realização de novos testes. Conclusões do estudo surgem uma semana depois de Kim ter anunciado que cessaria os testes nucleares.

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Um dos mísseis lançados pela Coreia do Norte LUSA/KCNA

Após sucessivas explosões, parte da principal zona usada para a realização de ensaios nucleares na Coreia do Norte pode ter colapsado, tornando-o vulnerável a fugas de radiação, diz um estudo feito por geólogos chineses da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hefei, divulgado nesta quinta-feira no jornal britânico The Guardian.  

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Após sucessivas explosões, parte da principal zona usada para a realização de ensaios nucleares na Coreia do Norte pode ter colapsado, tornando-o vulnerável a fugas de radiação, diz um estudo feito por geólogos chineses da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hefei, divulgado nesta quinta-feira no jornal britânico The Guardian.  

A zona de testes situa-se em Pyunggye-ri, numa região montanhosa no Norte do país. Foi usada para os seis testes nucleares feitos pelo regime de Kim Jong-un desde 2006. O estudo indica ainda que, a haver novos testes, poderá haver fuga de material radioactivo — o que o torna praticamente inutilizável.

Estas conclusões oferecem uma nova perspectiva à promessa feitas por Kim Jong-un de desnuclearização. Na sexta-feira, a Coreia do Norte anunciou que iria suspender os testes nucleares e de mísseis balísticos intercontinentais, desmantelando as instalações nucleares de Pyunggye-ri a partir de 21 de Abril – uma intenção já demonstrada por Kim e aclamada pela comunidade internacional. A decisão norte-coreana foi anunciada pouco antes do encontro com o líder da Coreia do Sul, Moon Jae-in, marcado para sexta-feira.

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O sexto teste nuclear (que foi também o mais poderoso até agora) foi realizado em Setembro. Foi condenado internacionalmente e os Estados Unidos afirmavam que atacariam a Coreia do Norte face a qualquer ameaça ao seu território.

O sexto ensaio nuclear de Kim começou por se fazer anunciar através de um abalo sísmico de magnitude 6,3 na escala de Richter. Como as explosões nucleares libertam grandes quantidades de calor e energia, este último teste de grande potência poderá ter sido um dos responsáveis pela instabilidade das instalações.

O estudo dos investigadores chineses será publicado na revista científica Geophysical Research Letters e sublinha a necessidade de vigiar a Coreia do Norte, sobretudo no que toca à libertação de materiais radioactivos na sequência da destruição parcial das instalações nucleares.