A música da despedida deste Maria Matos

O fecho da temporada 2017-2018, que encerra a vida do teatro lisboeta antes da sua passagem à gestão privada, far-se-á em Maio e Junho com concertos de Filho da Mãe, Marco Franco, Telectu, Gabriel Ferrandini e Joana Sá e Luís Martins.

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vera marmelo

Será a despedida do Teatro Maria Matos que conhecemos nos últimos anos e será feita, musicalmente, de acordo com aquele que tem sido o seu espírito: ouvindo o novo que pulsa no cenário musical, estimulando a criação de forma a proporcionar momentos irrepetíveis em palco, olhando para trás para homenagear momentos marcantes que o passado nos legou. Apresenta-se o fecho da temporada musical 2017/2018, a última antes da mudança do modelo de gestão da sala, que a partir de Setembro passará a ser assegurada por agentes culturais privados. Antes disso, tempo para Filho da Mãe, Marco Franco ao lado de Joana Gama e Tiago Sousa, Gabriel Ferrandini e Joana Sá e Luís Martins.

Dia 8 de Maio, Rui Carvalho, o guitarrista que assina Filho da Mãe, apresentará o seu quarto álbum em nome próprio. O sucessor de Mergulho, editado em 2016 (tal como Tormenta, assinado com o baterista Ricardo Martins), foi gravado entre Lisboa e a ilha da Madeira, aqui no contexto da efervescência criativa assegurada pelo festival Aleste, que regressa este ano, dia 26 de Maio, ao Complexo Balnear da Barreirinha. O novo disco tem por título Água-Má, será editado dia 4 de Maio e já podemos ouvir o single de apresentação, Nem chuva, nem cães.

Dez dias depois, a 18 de Maio, continuaremos a testemunhar a bem-vinda e surpreendente nova vida musical de Marco Franco. Baterista exímio com percurso longo e multifacetado (Braindead, Tim Tim Por Tim Tum, Mikado Lab, Memória de Peixe), editou o ano passado o celebrado “Mudra”, em que trocou a bateria pela expressividade do piano. No Maria Matos, mostrará onde o tem conduzido este novo caminho que abriu no seu percurso, num concerto onde actuará em conjunto com os pianistas Joana Gama e Tiago Sousa.

O mês seguinte, Junho, será intenso. Gabriel Ferrandini, baterista que é, hoje, nome indispensável na cena jazz e exploratória portuguesa, regressa ao Maria Matos nos dias 19 e 20 de Junho para dar sequência a “Tudo Bumbo”, o espectáculo solo que preparou com o fotógrafo António Júlio Duarte e o técnico de som Cristiano Nunes e que ali apresentou no Verão de 2017.

Pouco depois, dia 24, preparemo-nos para uma noite de São João peculiar: a pianista Joana Sá e o guitarrista Luís Martins, que formam desde 2000 o duo Almost A Song, que são os POWERTRIO quando se lhes junta o harpista Eduardo Raon, além de percorrerem ambos percursos a solo, preparam o espectáculo “Paixão e Folia para São João”. Inspirados na Paixão Segundo São João de Bach e nas folias (a dança a e a música) medievais, procurarão atingir os céus sagrados e viver os prazeres profanos numa noite só, acompanhados de uma série de convidados ainda por revelar.

Ainda em Junho, mas antes de Ferrandini e antes do São João, tempo de reencontro: Belzebu, o histórico álbum de 1983 dos Telectu, o duo fundado no início da década de 1980 por Vitor Rua e Jorge Lima Barreto, falecido em 2011, será revisitado na íntegra em palco, em som e imagem, dia 15 de Junho. Segundo álbum da dupla, sucessor de Ctu Telectu, lançado em 1982, é um marco da música minimal-repetitiva criada em Portugal e, 35 anos depois, o seu tempo parece longe de esgotado.

O concerto surge no âmbito da reedição do álbum, marcada para Junho e sobre a qual conheceremos mais novidades no Record Store Day, dia 21 de Maio. A reedição, em LP de vinil, será o primeiro lançamento da Holuzam, selo da Flur. A remasterização foi feita por António Duarte e, segundo Vitor Rua, corresponde às intenções originais dos Telectu. Como bónus, será incluído na edição Belzebu Zero, correspondente à primeira versão do álbum.