Bastonário quer que médicos deixem de ser chamados doutores

Miguel Guimarães quer uma designação nova para os médicos. "Toda a gente é doutor", justifica. Proposta surge depois de aprovada licenciatura em medicina tradicional chinesa.

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Paulo Pimenta

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) prepara-se para avançar com uma proposta revolucionária. Miguel Guimarães adianta que está a pensar propor no Conselho Nacional Executivo da OM que “os médicos deixem de ser chamados doutores”.

Porquê? “Há tantos licenciados. Toda a gente é doutor. Gostava de uma designação nova. Doutor é um título que corresponde a uma licenciatura ou a um mestrado. Estas nomenclaturas já estarão ultrapassadas. O que o doente tem que saber é o nome e a profissão [de quem o está a tratar]”, explica o bastonário. "É uma matéria que vou colocar à consideração dos meus colegas [no conselho executivo]", diz Miguel Guimarães que ainda não pensou numa designação alternativa.

A ideia surge numa altura em que o ministro da Saúde está debaixo de fogo depois de, na semana passada, ter sido aprovada uma licenciatura em medicina tradicional chinesa. Foi, diz Miguel Guimarães, “a cereja no topo do bolo da nossa indignação”. "A maior parte destas práticas [da medicina tradicional chinesa] não passaram no crivo da fundamentação científica", critica Miguel Guimarães, que garante que "os médicos estão todos contra o ministro da Saúde”.

Críticas à medicina tradicional chinesa

A portaria conjunta dos ministérios da Saúde e da Ciência e Ensino Superior que valida a criação de ciclos de estudos de quatro anos que vão conferir o grau de licenciado em medicina tradicional chinesa foi publicada na semana passada. Logo nessa altura, o bastonário acusou o Governo de estar a ameaçar a saúde dos portugueses e avisou que avançaria para “formas inéditas” de mostrar o descontentamento dos médicos.

Contestando a reacção da OM, o ministro da Saúde explicou então que o Estado estava apenas "a cumprir uma lei da Assembleia da República aprovada sem votos contra em 2013 e que tinha sido aprovada por unanimidade em 2003”.