Expansão de opiáceos como fentanil preocupa autoridades

Fármaco que tem provocado milhares de mortes nos EUA e Canadá foi detectado em encomendas postais descaracterizadas remetidas para Portugal.

Alexis Goosdeel está preocupado com "ameaça crescente" dos opiáceos sintéticos
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Alexis Goosdeel está preocupado com "ameaça crescente" dos opiáceos sintéticos Rui Gaudêncio

O director do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Adictivos e nas Dependências, João Goulão, está preocupado com a possibilidade de chegar a Portugal o boom de expansão de opiáceos sintéticos como o fentanil. “Em Vancouver [no Canadá] ocorrem, actualmente, quatro overdoses por dia por fentanil. E, olhando para o que se passa lá fora, temos de nos preparar para os eventuais desafios que venham a surgir”, declarou Goulão ao PÚBLICO.

Questionado sobre eventuais medidas de prevenção face ao risco de entrada desta droga em Portugal, Goulão considera que o que há a fazer, por enquanto, é “investir no controlo – que é reconhecidamente difícil – da entrada destas substâncias por via postal”. Isto numa altura em que, acrescentou, “já foram identificadas algumas amostras em encomendas descaracterizadas”.

Ao contrário do que se passa nos Estados Unidos e no Canadá, onde estes medicamentos começaram por ser prescritos pelos médicos como analgésicos, e “onde há uma maior cultura de utilização destes opiáceos”, na Europa esta droga tende a ser adquirida via Internet, chegando a casa do consumidor por via postal. E, sublinha o responsável pela política das drogas em Portugal, no caso do fentanil, “a margem de segurança entre os efeitos procurados pelo utilizador recreativo e a possibilidade de ser letal é muito reduzida”.

Muito mais potente do que a heroína, o fentanil tem provocado uma epidemia de mortes no Canadá e nos EUA. Aqui, foram registadas cerca de 20 mil mortes relacionadas com aquele fármaco, só em 2016.

Em Portugal, o fentanil é usado como analgésico em vários procedimentos cirúrgicos, bem como no tratamento das dores graves e de longa duração como as provocadas pelo cancro.

A crescente comercialização do fármaco na darknet para fins recreativos levou a União Europeia a adoptar, em Novembro último, medidas extraordinárias de controlo, numa acção concertada entre o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência e a Europol. “Com apenas alguns cliques, os compradores podem adquirir praticamente qualquer tipo de droga na darknet, independentemente de serem drogas sintéticas, cannabis, cocaína, heroína ou uma variedade de novas substâncias psicoactivas, incluindo fentanilos altamente potentes. Isto representa uma ameaça crescente para a saúde e para a segurança dos cidadãos e comunidades em toda a União Europeia (UE)”, declarou então Alexis Goosdeel, director do observatório.

De acordo com estas autoridades, dois terços das ofertas nos mercados da darknet estão relacionados com droga. E os fornecedores situados na UE desempenham um papel importante no ecossistema da darknet, sendo responsáveis por cerca de 46% (aproximadamente 80 milhões de euros) do total de vendas de droga a nível global efectuadas nos 16 maiores mercados da darknet, analisados no período de 2011-15.

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