UE nega a Netanyahu reconhecimento de Jerusalém como capital

Nem mesmo aliados europeus muito próximos de Israel, como a República Checa, quebraram a unidade dos 28.

Foto
Netanyahu com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini François Lenoir/Reuters

Dias depois de obter uma das mais importantes vitórias diplomáticas das últimas décadas, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, esteve em Bruxelas para apelar aos Estados-membros da União Europeia que sigam o exemplo dos EUA e reconheçam Jerusalém como capital de Israel. Porém, a UE manteve-se unida e defendeu a sua posição tradicional.

A verdade faz-nos mais fortes

Das guerras aos desastres ambientais, da economia às ameaças epidémicas, quando os dias são de incerteza, o jornalismo do Público torna-se o porto de abrigo para os portugueses que querem pensar melhor. Juntos vemos melhor. Dê força à informação responsável que o ajuda entender o mundo, a pensar e decidir.

Dias depois de obter uma das mais importantes vitórias diplomáticas das últimas décadas, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, esteve em Bruxelas para apelar aos Estados-membros da União Europeia que sigam o exemplo dos EUA e reconheçam Jerusalém como capital de Israel. Porém, a UE manteve-se unida e defendeu a sua posição tradicional.

Há 22 anos que um primeiro-ministro israelita em funções não era recebido de forma oficial em Bruxelas, mas Netanyahu regressa a Israel sem qualquer garantia de que os países europeus venham a reconhecer Jerusalém como capital. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, garantiu que os 28 vão continuar a apoiar o “consenso internacional” no que respeita ao estatuto de Jerusalém – ou seja, o não reconhecimento dos territórios ocupados por Israel após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

“Acreditamos que a única solução realista para o conflito entre Israel e a Palestina baseia-se nos dois Estados com Jerusalém como capital de ambos”, afirmou Mogherini.

A abordagem europeia foi replicada por praticamente todos os ministros dos Negócios Estrangeiros, como o português Augusto Santos Silva, que garantiu que a transferência da embaixada em Telavive para Jerusalém irá acontecer “no exacto dia” em que a embaixada portuguesa em Ramallah for também mudada para Jerusalém.

Para Netanyahu, a mudança da posição europeia resume-se a uma questão de tempo. “Acredito que todos, ou a maioria, dos países europeus irá mudar as suas embaixadas para Jerusalém, reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e relacionar-se de forma robusta connosco em nome da segurança, prosperidade e paz”, afirmou em Bruxelas, depois de no domingo ter sido recebido pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, que lhe pediu para travar a construção de colonatos.

Nem mesmo aliados europeus muito próximos de Israel, como a República Checa, quebraram a unidade dos 28. Na semana passada, o Ministério dos Negócios Estrangeiros checo disse que iria considerar mudar a embaixada checa de Telavive para Jerusalém, algo que foi visto em Israel como um apoio à decisão de Trump. Mas Praga disse mais tarde que apenas aceita a soberania israelita sobre Jerusalém Ocidental.

O anúncio de Trump foi alvo de uma condenação quase global, mesmo entre alguns dos principais aliados de Washington, como o Reino Unido. Em várias cidades europeias foram organizadas manifestações de protesto contra o reconhecimento de Jerusalém como capital israelita por parte dos EUA. Na Cisjordânia, os últimos dias foram marcados por confrontos entre palestinianos e as forças de segurança israelitas.