Opinião

Inadiável reduzir sal

A Ciência comprova claramente a eficácia da imunização na evitabilidade da doença. Esta demonstra ainda a relação causa-efeito da infeção pelo vírus da hepatite B e o cancro do fígado.

A essência da ação política conduzida por titulares de órgãos de soberania tem de estar naturalmente centrada na defesa dos interesses dos cidadãos. Ninguém imaginaria que assim não fosse. Aliás, nenhum partido político proclama o contrário.

Ora, defender o interesse das portuguesas e dos portugueses é, antes de mais, assegurar a conservação, a proteção, a promoção da saúde e prevenir doenças evitáveis. Sim, prevenir doenças que podem ser evitadas.

Por esse motivo, as vacinas contra o cancro do fígado administram-se imediatamente depois do nascimento, cabendo ao Estado indicar a necessidade de vacinar e disponibilizar as vacinas. Assim tem de acontecer.

Nenhum grupo parlamentar, em nenhum país democrático, decidiria em contrário, visto que a Ciência comprova claramente a eficácia da imunização na evitabilidade da doença. Esta demonstra ainda a relação causa-efeito da infeção pelo vírus da hepatite B e o cancro do fígado.

Da mesma forma que faz sentido eliminar a epidemia de cancro, é sensato controlar as epidemias de outras doenças crónicas como a insuficiência cardíaca, o enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral.

Todos sabem, sem poder ignorar, em termos de consequências, que um em cada cinco portugueses não festeja 70 anos de idade devido a estas doenças. Se é verdade que o cancro do fígado está relacionado com o vírus da hepatite B, também é verdade a relação entre as doenças crónicas e a hipertensão arterial.

Sublinha-se que está cientificamente demonstrada a relação causal, em cascata, do excesso de sal na alimentação, que leva a aumento de pressão nas artérias e que, por sua vez, “cansa” o coração na sua missão de “bomba” para fazer circular o sangue a todas as células do corpo. Este “cansaço” do coração, designado em clínica como “insuficiência”, é claramente devido ao excesso de sal na alimentação.

O que haverá a fazer?

Obviamente que a resposta é reduzir este excesso que, no caso da população portuguesa, está quantificado em três gramas diários de ingestão indevida de sal. Compreende-se assim que haja necessidade de explorar todos os mecanismos capazes de conduzirem a este objetivo da sociedade em reduzir o excesso de sal nos alimentos. Todos.

Nestes termos, este objetivo corresponde a defender o bem mais importante e constitucionalmente consagrado da população portuguesa: a sua saúde.

É possível, em pouco tempo, fazer diferir o final da vida para além dos 70 anos de idade de pelo menos cinco mil cidadãos, desde que todos tenham comportamentos que observem opções nesse sentido: na prática, substituir três gramas de sal da sua alimentação por ervas aromáticas (salsa, coentros, manjericão, cominho...). Importa, portanto, envolver todos, cidadãos, famílias, sociedade civil, titulares de cargos políticos, através de todos os meios, desde a simples informação até à adoção das medidas legislativas adequadas.

É inadiável.

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